O presidente do Governo Regional da Madeira anunciou, nesta quarta-feira, que vai solicitar um parecer técnico sobre a viabilidade da utilização de meios aéreos na região no combate aos incêndios florestais.

Miguel Albuquerque falava aos jornalistas no âmbito da visita que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, efetua hoje à Madeira na sequência dos incêndios que deflagraram na ilha na segunda-feira e provocaram três vítimas mortais, cerca de mil desalojados provisórios, destruição de dezenas de habitações e avultados prejuízos materiais.

Eu vou resolver a questão de uma vez por todas”, declarou o governante madeirense quando confrontado com as críticas sobre esta questão, que, adiantou, “se discute há muitos anos: se a Madeira deve ou não ter meios aéreos de combate aos fogos”.

O líder madeirense argumentou que existe “um conjunto de pareceres contraditórios sobre a matéria”, apontando existirem opiniões de que, devido às condições climatéricas e orográficas da Madeira, “é quase impossível e suicidário fazê-lo, por causa dos ventos, vales, etc”.

Vou resolver a questão. Vou pedir um parecer técnico ao Governo, para o mais rapidamente possível me darem um parecer relativamente a esta matéria.”

O presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), Fernando Curto, afirmou hoje que a inexistência de meios aéreos de combate a incêndios na Madeira foi uma opção política, porque tecnicamente é possível.

Na Madeira não há meios aéreos, porque o anterior Governo Regional entendia que não eram necessários meios aéreos ou porque havia situações climatéricas que não permitiam que os helicópteros médios ou pesados ou mesmo os ‘Canadair’ pudessem atuar. A ANBP contrariou sempre essa tese, mas, como é lógico, limitamo-nos a contrariar”, disse Fernando Curto.

Na terça-feira, Miguel Albuquerque tinha desvalorizado as críticas relacionadas com o recurso a meios aéreos no combate a incêndios de grandes dimensões no arquipélago, considerando que os estudos divergem sobre a sua utilização.

A TVI apurou, entretanto, que o Governo de António Costa não deu andamento a um relatório que aconselhava maior intervenção da Força Aérea (FA) em missões de interesse público, concretamente no combate aos fogos. Bem como a adequação de mais meios aéreos de combate a incêndios na Madeira.

Se o modelo, elaborado a pedido do Governo de Passos Coelho, tivesse avançado, neste momento, a FA estaria a ser preparada para o combate contra as chamas. Um plano que previa, já em 2016, pelo menos, o envolvimento na vigilância das matas, com os C-295.

Contatada pela TVI, fonte oficial ministério tutelado por Constança Urbano de Sousa disse que o MAI “não “chumbou”, total ou parcialmente, o modelo proposto nesse relatório”. Mas a mesma fonte não esclareceu o que fez o Executivo ao relatório, ou se lhe atribuiu alguma utilidade. Sendo que, para já, parece mesmo ter ficado na gaveta.

Na nota enviada à TVI, o ministério acrescenta apenas que “o relatório não considera a possibilidade de operação e manutenção dos principais meios aéreos detidos pelo MAI, nomeadamente helicópteros pesados KAMOV”. Mas o fato é que uma das recomendações do relatório, a que aTVI teve acesso, pede uma decisão, a quem de direito, sobre se os “KAMOV devem ser mantidos na atual situação de operação e manutenção por um prestador de serviços ou se devem ser substituídos a prazo por meio equivalente a operar na Força Aérea”.