Os bombeiros continuam a combater um foco de incêndio em São João Latrão, no Funchal, recorrendo a máquinas pesadas para limitar a transposição do fogo para as zonas circundantes. Para já, não há casas ameaçadas. A informação foi avançada à Lusa por fonte do governo regional.

“Estão a ser usadas motosserras para abater algumas árvores, no sentido de criar um caminho para melhor combater o fogo."

Este foco está ativo desde quarta-feira e chegou a ameaçar casas, na altura, devido às constantes mudanças de direção do vento.

Para evitar que o fogo se propague para outras encostas da serra, estão a ser abertos aceiros, com recurso a retroescavadoras.

No local permanecem bombeiros que vão despejando água nas zonas circundantes às habitações e também o exército mantém posição no local.

O fumo começa a ser uma preocupação, já que devido à ausência de vento, permanece baixo e intenso.

Fogo na Calheta ainda por dominar

Na freguesia da Calheta, um incêndio afetava pelas 9:00 algumas zonas florestais e estava a ser combatido por reforços que chegaram do Funchal e do continente, disse à Lusa o presidente da Câmara.

"Estamos neste momento [cerca das 09:00] na freguesia dos Prazeres. O incêndio encontra-se agora numa fase muito melhor do que se encontrava ontem [quarta-feira] à noite. Neste momento é só um incêndio florestal e já não se encontram habitações em perigo”, disse à Lusa Carlos Teles, presidente da Câmara da Calheta.

O autarca sublinhou que o concelho recebeu nas últimas horas reforços da cidade do Funchal e uma equipa da GNR do continente.

“Numa situação destas todos os reforços são poucos mas, de qualquer das maneiras, os homens dos Açores (corporações de bombeiros das ilhas de S. Miguel e da Terceira) deram-nos ontem [quarta-feira] uma ajuda muito importante e hoje temos aqui estes 52 homens do continente que também são experientes e que nos vão ajudar bastante durante o dia”, referiu Carlos Teles.

A Calheta é o maior concelho da Região Autónoma da Madeira, constituído por oito freguesias, numa extensão de 116 quilómetros quadrados.

A zona foi afetada pelo fogo durante as últimas 24 horas, mas ainda não é possível contabilizar os estragos, sobretudo o número de casas que foram atingidas pelas chamas.

"Estamos agora fazer esse levantamento e só ao final do dia e que vamos ter esses números. Neste momento, não temos nenhum desalojado. Antes de ontem [quarta-feira] à noite chegamos a ter 64 mas entretanto foram regressando às suas casas e também tivemos 50 turistas que estavam instalados numa unidade hoteleira mas foram reencaminhados para outros hotéis no Funchal”, especificou o autarca.

Três pessoas morreram na terça-feira, no Funchal, na sequência de incêndios que deflagraram no concelho na segunda-feira.

O fogo provocou ainda cerca de mil desalojados, entre residentes e turistas, e muitas casas e um hotel foram destruídos pelo fogo.

Os prejuízos materiais são avultados, mas não estão ainda contabilizados.

As entidades responsáveis pelas festividades em honra de Nossa Senhora do Monte, no Funchal, decidiram cancelar o arraial popular, que já decorria, por solidariedade com as vítimas dos incêndios.