Um incêndio florestal que começou em Espanha galgou o rio Douro e alastrou a Miranda do Douro, tendo chegado a isolar a localidade de Barrocal do Douro, segundo disse à agência Lusa, fonte da Proteção Civil municipal.

De acordo com a mesma fonte, o incêndio está a preocupar a população do Barrocal do Douro, em Picote, concelho de Miranda do Douro, depois de a localidade ter ficado isolada do resto do concelho durante duas horas.

Segundo avançou à agência Lusa, o presidente da câmara de Miranda do Douro, no distrito de Bragança, Artur Nunes, o fogo começou em Espanha mas, por volta das 20:00, as chamas conseguiram "galgar" o rio Douro.

O lugar do Barrocal do Douro chegou a ficar isolado durante cerca de duas horas, tendo as chamas chegado próximo de algumas habitações. No entanto, esta situação está, para já, controlada", frisou o autarca.

O dispositivo de combate às chamas "está a ser reforçado", já que o incêndio lavra com alguma intensidade nas arribas da área protegida do Parque Natural do Douro Internacional.

De acordo com informação prestada na página de internet da Proteção Civil à meia-noite, estavam no local 70 operacionais, apoiados por 19 veículos.

"Enormes prejuízos"

Um outro incêndio que deflagrou no Parque Natural do Douro Internacional, em Poiares, Freixo de Espada à Cinta, está a causar "enormes prejuízos” em culturas como o amendoal, vinha e olival, disse à Lusa fonte da Proteção Civil municipal.

Estas culturas agrícolas inseridas na área protegida do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) são tidas como as principais fontes de riqueza deste concelho do sul do distrito de Bragança.

Segundo os técnicos, o PNDI é um habitat natural onde prevalecem diversas espécies autóctones de flora e de fauna únicas na Península Ibérica.

De acordo com a mesma fonte da proteção Civil municipal, o fogo chegou a isolar a aldeia de Poiares e obrigou ao corte de estradas, o que complicou a ação a residentes e bombeiros.

Segundo avançou à agência Lusa, a presidente da câmara de Freixo de Espada à Cinta, Maria do Céu Quintas, os terrenos ardem devido a políticas restritivas praticadas pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que não autoriza o rompimento de caminhos e outras ligações, para servirem as propriedades agrícolas e funcionarem como corta-fogos.

A falta de caminhos que liguem as propriedades agrícolas leva a um sucessivo abandono das terras, criando condições para a propagação de incêndios. Contudo, cada vez que é preciso fazer um rompimento, há sempre a ameaça de contraordenação por parte do ICNF", acusou a autarca.

De acordo com informação prestada na página de internet da Proteção Civil às 23:30, estavam no local 135 operacionais, apoiados por 48 veículos, sendo, no momento, o maior incêndio florestal em todo o distrito de Bragança.