O comandante distrital de Proteção Civil de Aveiro informou que, devido à mudança do vento, que deverá fazer aumentar as chamas no flanco esquerdo do incêndio desta sexta-feira em Talhadas (Sever do Vouga), a proteção da A25 será reforçada.

José Bismark fez ao início da tarde o ponto da situação do incêndio florestal, que começou de madrugada em Talhadas e levou à retirada de habitantes de duas aldeias do concelho vizinho de Águeda. O responsável afirmou que, apesar de continuar ativa a frente do flanco direito, com cerca de quatro quilómetros e muitas reativações, é no flanco esquerdo que vão ser concentrados os meios.

«O incêndio propagou-se de nascente para poente em forma de dedos, que se vão cruzar agora de noroeste para sudeste, devido à mudança do vento, pelo que a frente direita, que é a pior neste momento, vai passar a ser mais favorável, mas a frente esquerda e a cabeça do incêndio que estavam em consolidação podem ser mais complicadas», explicou.

Segundo José Bismark, «vai haver uma pressão maior sobre a A25 [autoestrada], estando a inversão prevista para as 15:00, pelo que os meios vão ali ser reforçados», mas «não há povoações na linha de progressão prevista para o fogo, que deverá percorrer perímetro florestal puro».

Um novo incêndio deflagrou entretanto em Pessegueiro do Vouga, mais propriamente em Botica, no mesmo concelho, a quatro quilómetros do anterior, o que obrigou a deslocar para a área os dois aviões que estavam a operar no incêndio de Talhadas.

Este novo fogo, em cujo combate interveio também o Grupo de Reforço a Ataque Ampliado (GRUATA), vindo de Leiria, está «controlado», segundo o comandante distrital de Proteção Civil, que adiantou terem recolhido já os dois aviões. Em Pessegueiro do Vouga prosseguem trabalhos de «consolidação, rescaldo e acompanhamento».

José Bismark disse à Lusa que apenas permanece na zona um helicóptero, que vai ser reforçado com outro ao início da tarde, período em que os contingentes de bombeiros deverão ser rendidos porque «há homens a combater as chamas desde a uma e a maioria desde as 03:00 e há um desgaste acrescido devido às condições atmosféricas».

Apesar da mudança do vento exigir maior atenção, nomeadamente à A25, José Bismark espera uma melhoria das condições de combate ao incêndio de Talhadas, já que com ela é esperado um aumento da humidade relativa, devido à entrada de massas de ar marítimas. Neste caso, «a matéria combustível não arde com tanta facilidade».

Segundo a Proteção Civil, o fogo de Talhadas mobilizava 267 elementos de forças de socorro e 80 viaturas às 14:00.