O incêndio que lavrou durante uma semana no concelho de Monchique, no Algarve, provocou prejuízos em habitações e infraestruturas municipais de cerca de 10 milhões de euros, disse hoje à Lusa o presidente da Câmara.

Neste momento ainda é prematuro avançar com um levantamento rigoroso. Temos algumas casas afetadas, a maioria delas não na totalidade, mas com prejuízos para as pessoas, e temos também a nível de infraestruturas municipais um valor considerável […]. Estimo que nestas duas questões o valor ronde os 10 milhões de euros”, afirmou Rui André, em declarações à agência Lusa.

Para chegar a este valor, o autarca fez uma "extrapolação" dos prejuízos provocados pelo incêndio de 2016 no concelho e considerou também a área ardida.

O presidente da Câmara de Monchique acrescentou que há ainda “um prejuízo muito grande a apurar”, relacionado com o restabelecimento da vida profissional das pessoas afetadas: “muitas perderam as suas casas, mas também a sua atividade”.

“E isso implica a aquisição de maquinaria e de outros coisas, cujos valores não temos estimados neste momento”, afirmou, antes do início da reunião que vai ter com o primeiro-ministro, António Costa, agendada para as 15:00, e com outros elementos do Governo.

Esta reunião, indicou, servirá para começar a articular a forma mais rápida de ajudar as pessoas.

O incêndio rural, combatido por mais de mil operacionais e considerado dominado hoje de manhã, deflagrou no dia 3 à tarde, em Monchique, distrito de Faro, e atingiu também o concelho vizinho de Silves, depois de ter afetado, com menor impacto, os municípios de Portimão (no mesmo distrito) e de Odemira (distrito de Beja).

A Proteção Civil atualizou o número de feridos para 41, um dos quais em estado grave (uma idosa que se mantém internada em Lisboa).

De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais, as chamas já consumiram cerca de 27 mil hectares. Em 2003, um grande incêndio destruiu cerca de 41 mil hectares nos concelhos de Monchique, Portimão, Aljezur e Lagos.

Na terça-feira, ao quinto dia de incêndio, as operações passaram a ter coordenação nacional, na dependência direta do comandante nacional da Proteção Civil, depois de terem estado sob a gestão do comando distrital.