Várias casas arderam por completo e mais de 80% da área da aldeia de Soito foi consumida, neste sábado, por um incêndio que passou de Arouca para São Pedro do Sul. A informação é do presidente da união de freguesias de S. Martinho das Moitas e Covas do Rio, José Martins, que critica a demora no fim dos incêndios.

“Este fogo era evitável se tivesse sido apagado há dois ou três dias”, considera, para quem os poucos meios aéreos no combate aos fogos deveria ter vindo mais cedo.

Os incêndios em São Pedro do Sul, no distrito de Viseu, já obrigaram este sábado mais de uma dezena de pessoas a abandonar as suas. Este é o fogo que teve início em Arouca.

O incêndio em Arouca, distrito de Aveiro, que passou para o município vizinho de S. Pedro do Sul, distrito de Viseu, é esta tarde aquele que mais preocupa, disse neste sábado o adjunto de operações nacional da Proteção Civil.

“Neste momento, o [incêndio] mais preocupante e o que está a ocupar a maioria do nosso dispositivo é o incêndio em Arouca, que já passou para S. Pedro do Sul”, afirmou à Lusa Carlos Guerra, da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Segundo o ajunto de operações, este incêndio, que deflagrou na segunda-feira à tarde na freguesia de Janarde, Arouca, distrito de Aveiro, está a ser combatido por dez meios aéreos e tem alocados “559 operacionais e 177 veículos”.

Horas antes, o adjunto de operações nacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), Miguel Cruz, dizia em relação a Arouca que o incêndio tinha "uma frente com alguma extensão e estamos a preparar a estratégia para atacar essa frente que é numa zona de altitude com dificuldade de acessos significativa".

"Temos meios aéreos disponíveis, estamos a avaliar e, neste momento não existem ainda condições de operação", em particular no fogo de Arouca, mas, assim que as condições permitam os aviões "iniciarão de imediato o seu trabalho", especificou Miguel Cruz.

Quanto às previsões para hoje, "mantemos as condições de risco que temos tido ao longo desta semana, com exceção do vento que está mais fraco e isso é de certa forma, menos um fator de agravamento da propagação dos incêndios", acrescentou.

No entanto, recordou que há situações de aviso para temperaturas elevadas, portanto, "a atenção é máxima e concentração também no sentido de tentar que todas as ocorrências que venham a surgir sejam rapidamente controladas".

O incêndio de Águeda, um dos dois fogos de grandes dimensões que lavram nas regiões de Aveiro e Viseu, esteve em fase de consolidação e a Proteção Civil esperava que fosse dominado.

O incêndio que afeta o concelho de Arouca, na localidade de Janarde, é aquele que mobiliza mais meios no terreno. Às 16:00 ainda tinha, no terreno, 703 operacionais apoiados por 234 veículos e dez meios aéreos.

O incêndio que atinge o concelho de Resende, Viseu, um dos quatro fogos de grandes dimensões que este noite lavraram em Portugal continental, estava ao início da manhã em resolução. Ao início da tarde envolvia apenas 19 operacionais e 5 veículos, segundo a página da Proteção Civil. Começou na madrugada de sexta-feira.

O distrito de Aveiro continua a ser dos mais fustigados e ao início da tarde, a ocorrência mais importante é nele que se regista. às 15:30 tinha 20 ocorrências, mais de 1500 homens no terreno, 489 meios terrestres e 11 meios aéreos, refere a página da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

A nível nacional, cerca das 15:30, eram 3.504 os operacionais que combatiam um total de 107 incêndios. 24 dos quais no distrito do Porto. Aveiro também tem 20 ocorrências e Viseu tem 10. Ocorrências são apoiadas por 1089 meios terrestres e 27 meios aéreos.

Incêndio na Calheta foi dado como em “estado de resolução”

A ilha da Madeira, bastante fustigada pelos incêndios desde segunda-feira, o incêndio que lavrava na Calheta foi dado como em “estado de resolução” durante a última noite, segundo o serviço de proteção civil local.

As previsões meteorológicas indicam que até domingo haverá um aumento da temperatura, que pode atingir os 29/31 graus na costa sul da Ilha da Madeira.

Devido à situação dos incêndios que fustigam a Madeira desde segunda-feira, foi acionado, na terça-feira, o Plano Regional de Emergência de Proteção Civil.

Os incêndios na Madeira começaram na freguesia de São Roque, no Funchal, e alastraram-se a outras zonas do concelho, provocando três vítimas mortais, cerca de mil desalojados temporários, mais de duas centenas de imóveis foram destruidos ou afetados e há avultados danos materiais.