A Guarda Nacional Republicana identificou, desde o início do ano, 12 rapazes e uma rapariga, com idades até aos 15 anos, por suspeita de autoria do crime de incêndios florestais, segundo dados da GNR divulgados esta sexta-feira à agência Lusa.

Em 2013, a GNR tinha identificado, por estes mesmos motivos, 25 menores, com idades até aos 15 anos, e, em 2014, nove jovens, dois dos quais raparigas.

Os dados adiantam ainda que, até 17 de agosto, foram identificados, por suspeita de envolvimento em incêndios florestais, 13 jovens com idades entre os 16 e os 20 anos.

Segundo a GNR, em 2014 tinham sido identificados 14 jovens nesta mesma faixa etária, por suspeita de terem ateado um fogo florestal, menos 11 face ao ano anterior.

Já a PSP anunciou hoje que identificou, nos primeiros oito meses do ano, seis menores com idades até aos 16 anos por suspeita da prática do mesmo crime.

Em 2014, a PSP identificou 11 menores, mais dois que no ano anterior.

Desde 2013, foram identificados, pela polícia, 26 menores, que representam 19,8% do total de pessoas identificadas por suspeita de estarem envolvidos em incêndios florestais ocorridos na área de responsabilidade da PSP.

Contactada pela agência Lusa, a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais informou que, neste momento, se encontram dois jovens em centros educativos a cumprir "medida de internamento na sequência de cometimento de crime de incêndio florestal".

Em declarações à Lusa, a psicóloga do Instituto de Apoio à Criança (IAC) Maria João Cosme adiantou que este tipo de casos não chegou ao instituto, uma vez que são situações mais relacionadas com adultos.

Maria João Cosme adiantou que há incêndios que podem ser causados acidentalmente, como deixar um cigarro aceso ou outros comportamentos desadequados "típicos da adolescência".

"Não acho que seja propriamente com o intuito de destruir, pode ser um ato de alguma irreverência, como deitar um cigarro, que depois acaba por ter uma consequência que não foi premeditada nesse sentido", advertiu a psicóloga.

Maria João Cosme apontou o caso do jovem de 13 anos que causou um incêndio no concelho de Vouzela, porque queria ver o pai, que é bombeiro, a combater o fogo.

São idades em que os jovens podem cometer um ato impensado, sem pensar nas consequências, devido a "alguma imaturidade emocional".

Neste caso, "os incêndios fazem parte do modo de vida desta família", mas "não tem de haver um antecedente e [este ato] não tem de ter uma consequência muito grave no futuro desta criança", frisou.

Defendeu, contudo, que é necessária "uma medida em termos de comportamentos, porque o menor tem de perceber as consequências dos seus atos, mas há várias situações que devem ser questionadas e trabalhadas com este jovem".

"Não me parece que seja preciso existir aqui outro tipo de fatores para que se possa dizer que este menino se transforme num delinquente, num pirómano. Não se pode generalizar dessa maneira, mas isto significa que todos temos de pensar muito bem na educação e naquilo que estamos a transmitir aos jovens e às crianças", salientou.

Maria João Cosme advertiu que os jovens são diariamente bombardeados por jogos e filmes que apelam à violência. "Desde pequenos que são invadidos com este tipo de conteúdos de destruir, explodir tudo e matar todos" e é preciso trabalhar com este jovens "no sentido da prevenção para terem noção daquilo que é a ficção e a realidade".

Este trabalho deve começar em casa, na escola, mas também através da comunicação social e das forças policiais.

Até ao dia 17 de agosto, a GNR deteve 51 pessoas, mais 20 do que no mesmo período de 2014, e identificou outras 690, mais 308 do que no ano passado.

Segundo a GNR, o maior número de detenções ocorreu no distrito de Bragança (11), seguido da Guarda (9), de Leiria (8), Braga, Castelo Branco e Viana do Castelo, com três detidos em cada distrito, Vila Real e Viseu, com dois detidos cada um, e Évora, Lisboa, Portalegre e Porto, com o registo de um detido por cada distrito.

De acordo com a GNR, houve registo de 16.296 ocorrências de incêndios até 17 de agosto, mais 9.005 do que em 2014, o que representa um aumento de 123%.