O presidente da Câmara de Carregal do Sal, Rogério Abrantes, revelou esta terça-feira que o incêndio que cercou o seu concelho na madrugada de segunda-feira consumiu 70 a 80 % da mancha florestal e uma dezena de casas.

Penso que ardeu entre 70 a 80% da floresta do concelho de Carregal do Sal. O fogo destruiu ainda umas dez habitações, duas principais e as outras devolutas, muitos barracões, tratores e alfaias agrícolas, para além de se ter registado uma vítima mortal", lamentou.

De acordo com o autarca, a vítima mortal tem entre 50 a 60 anos e é de Papízios, tendo sido encontrado carbonizado numa mata.

Registou-se ainda um ferido grave, que tem 40% do corpo queimado e foi transferido do Hospital de Viseu para Coimbra", acrescentou.

Rogério Abrantes explicou à agência Lusa que por volta das 23:30 de domingo o seu concelho ainda estava a salvo das chamas, mas em pouco mais de uma hora acabou completamente cercado pelo fogo.

"Foi uma coisa horrorosa. Já tenho alguma idade, fui presidente de junta, presidente dos bombeiros e vivi estas coisas muitos anos, mas nunca vi uma coisa destas: foi o maior incêndio do concelho", concluiu.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram pelo menos 37 mortos e 70 feridos, além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou que o Governo assinou um despacho de calamidade pública, abrangendo todos os distritos a norte do Tejo, para assegurar a mobilização de mais meios, principalmente a disponibilidade dos bombeiros no combate aos incêndios.

Portugal acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e o protocolo com Marrocos, relativos à utilização de meios aéreos.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, na primavera, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou 64 vítimas mortais e mais de 200 feridos.