A Câmara de Oleiros anunciou, esta quarta-feira, que o incêndio que afetou o concelho no domingo e na segunda-feira destruiu 15 mil hectares de floresta e 70 casas, 20 das quais de primeira habitação.

O balanço provisório aponta para cerca de 70 casas ardidas, 20 das quais de primeira habitação, muitos animais mortos, um lagar de azeite destruído na aldeia de Sobral e cerca de 15 mil hectares de floresta ardida", disse à agência Lusa o presidente deste município do distrito de Castelo Branco.

Fernando Marques Jorge sublinhou que perante este cenário é preciso "enfrentar o problema de frente", sensibilizar as entidades responsáveis e o Governo, e começar a trabalhar e a reconstruir a zona.

Já sobre o conselho de ministros agendado para sábado, o autarca espera que sejam ali tomadas medidas semelhantes às que foram tomadas em junho, na sequência dos incêndios de Pedrógão Grande.

Acho que estes concelhos [afetados no fim de semana] têm que ter as mesmas condições, assim como é obrigatório que se simplifique o apoio aos pequenos agricultores. As regras têm que ser as mesmas, somos todos portugueses", concluiu.

Quanto à demissão da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, o autarca de Oleiros disse que após a declaração do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a governante não tinha outra possibilidade que não sair do Governo.

28 habitações permanentes ardidas em Penacova

Os incêndios de domingo atingiram total ou parcialmente 28 habitações permanentes, cerca de uma dezena de empresas e queimaram seis mil hectares de floresta no concelho de Penacova, disse, também esta quarta-feira, o presidente da Câmara, Humberto Oliveira. Mas, “acima de tudo”, este município do distrito de Coimbra “tem quatro mortes a lamentar” e esse “é o principal prejuízo”, que não é quantificável a nenhum nível, afirma Humberto Oliveira, sublinhando que a vida humana ultrapassa qualquer valor.

As 28 primeiras habitações completamente destruídas ou ardidas em parte desalojaram várias famílias, todas, no entanto, já acolhidas por familiares e em cooperação com entidades como instituições particulares de solidariedade social, acrescentou.

Sobre as segundas habitações e infraestruturas como armazéns, equipamento agrícola e animais perdidos nas chamas, o presidente da Câmara de Penacova disse à agência Lusa que o levantamento está ainda a ser feito.

Humberto Oliveira estima que tenham sido atingidas pelo fogo uma dezena de empresas, mas a sua inventariação é iniciada na tarde de hoje, em cooperação com técnicos da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, referiu o autarca, que ainda não dispõe, por isso, de dados rigorosos.

Toda a margem esquerda do Mondego [no concelho de Penacova] foi atingida” pelas chamas (a outra margem do rio também foi afetada, mas em menor escala), adianta Humberto Oliveira, calculando que tenham ardido no município cerca de seis mil hectares de floresta, na sequência dos fogos que deflagraram no domingo.

Algumas localidades do concelho continuam sem abastecimento de água, mas já em quantidade relativamente reduzida, enquanto a falta de eletricidade afeta mais pessoas e, de acordo com as previsões da EDP, o fornecimento de energia deverá estar normalizado na quinta-feira, disse ainda o autarca.

A energia elétrica também é necessária para o abastecimento de água, tendo a Câmara recorrido a gerador para garantir a distribuição de água nalgumas localidades.

Santa Comba Dão apela à disponibilização de máquinas para limpeza e demolição

O presidente da Câmara de Santa Comba Dão, Leonel Gouveia, apelou a todos os privados e entidades públicas que disponibilizem máquinas pesadas que permitam a limpeza, demolição e desobstrução de edifícios em risco de ruir.

Como muitas empresas locais viram a sua maquinaria ser consumida pelo fogo, inclusivamente a Câmara de Santa Comba Dão perdeu algumas, pede-se maquinaria pesada para ajudar na demolição imediata de algumas fachadas em risco de derrocada", referiu.

De acordo com o autarca, as fachadas em risco de derrocada devem ser demolidas o mais rapidamente possível, de forma que seja assegurada a segurança de pessoas e bens.

Temos tido grande dificuldade para reunir máquinas deste género. É necessário conciliar todos os meios, privados e púbicos, para iniciar a limpeza e a recuperação do concelho o mais rapidamente possível", acrescentou.

Quem puder disponibilizar este tipo de máquinas deverá contactar o Serviço de Proteção Civil, através do número de telemóvel: 962733812.

O Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil de Santa Comba Dão foi ativado às 23:43 de domingo, em virtude dos incêndios que assolaram o concelho.

Cerca de 80% da mancha florestal do concelho foi consumida pelas chamas, sendo este "o maior incêndio de sempre" a afetar o município.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram pelo menos 41 mortos e cerca de 70 feridos (mais de uma dezena dos quais graves), além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

O Governo decretou três dias de luto nacional, até quinta-feira.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou 64 vítimas mortais e mais de 200 feridos.