O fim de semana prolongado de agosto é de peso para a atividade pirotécnica das festas de verão, mas algumas entidades públicas cancelaram espetáculos de fogo-de-artifício, por uma questão de segurança, dada a vaga de incêndios que está a assolar o país. 

“Cerca de 25% da atividade [pirotécnica] de verão é este fim de semana, em que há festas em quase todo o país”, lembrou o presidente da associação que representa o setor, a APIPE. Carlos Macedo disse, citado pela Lusa, que ainda só tem conhecimento oficial de cancelamentos de licenças na Região Autónoma da Madeira, devido aos incêndios, mas é natural que nos locais mais afetados se venha a fazer o mesmo.

“Nunca houve cancelamentos a não ser em situações de crise. A pirotecnia não é incendiária nem nunca o foi. Compreendemos que em situações de crise, em locais específicos, haja esse cuidado de adiar o espetáculo pirotécnico para melhor ocasião. O que não podemos aceitar e compreender é que isto se faça de uma forma cega a todo o território nacional”

Isso seria “uma situação de exagero”, como o cancelamento de fogos-de-artifício em zonas à beira-mar, defendeu.

Onde não vai haver fogo de artifício?

Madeira
Gondomar (Porto) cancelou todas as licenças

Paredes de Coura (Viana do Castelo), entre 1 e 14 de agosto. Dinheiro que gastaria será entregue à associação humanitária dos bombeiros locais 

Castro Marim (Faro) cancelou também duas festas do concelho para canalizar as verbas para ajudar a população da Madeira

Para o presidente da associação APIPE, estes últimos três casos são “situações específicas e localizadas” que ainda desconhece. “Mas aceitamos perfeitamente, porque não são os pirotécnicos que querem deixar de contribuir para a preservação do ambiente. Temos que preservar a cultura das festas e romarias, mas também temos que preservar o ambiente e a floresta”, frisou.

Espetáculos de fogo-de-artifício são seguros?

O presidente da associação APIPE garante que sim, no caso do fogo lançado legamente. "Nunca houve incêndios florestais" por causa disso. Lembrou até que, a partir de 2005, “quer os industriais, quer a legislação, mudaram substancialmente a forma de atuar”, proibindo a utilização de foguetes.

Os espetáculos de fogo-de-artifício são sempre sujeitos a uma vistoria prévia do local em que será realizado. Já durante a realização dos espetáculos têm de estar presentes uma cooperação de bombeiros e uma autoridade policial para prevenção.

A distância de segurança da realização de espetáculos de pirotecnia é determinada em relação a pessoas, florestas e armazéns de materiais perigosos, variando consoante o local e as condições de vento.

De acordo com Carlos Macedo, uma licença para realização de um espetáculo de pirotecnia “custa em média 400 a 500” euros, valor que é assegurado pela organização das festas.

Atualmente, existem cerca de 50 empresas de pirotecnia e explosivos em todo o território nacional. Destas, 32 são associadas da APIPE. Anualmente as empresas da área geram “cerca de 20 milhões” de euros com a realização de espetáculos, informou o responsável.