Os incêndios que lavraram no distrito de Castelo Branco e na zona de Mação, distrito de Santarém, foram aqueles que concentraram uma maior atenção por parte da Proteção Civil, nesta terça-feira, dia em que foram registadas 104 ocorrências de incêndios florestais.

A informação foi divulgada aos jornalistas pela adjunta de operações da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) Patrícia Gaspar, num balanço realizado pelas 19:00.

Desde as 00:00 de hoje, Portugal regista já um total de 104 ocorrências de incêndios florestais. Destas 104, as nossas atenções centram-se para três ocorrências que eu destacaria: Sertã, no distrito de Castelo Branco, Vale de Coelheiros, também no distrito de Castelo Branco, e a ocorrência de Mantela (Mação) já no distrito de Santarém. Estas são aquelas ocorrências que concentram neste momento uma maior atenção”, explicou Patrícia Gaspar.

O grande desafio, de acordo com a ANPC, tem sido encontrar o equilíbrio entre o combate direto às chamas e, ao mesmo tempo, assegurar a proteção da população e dos seus bens, face às chamas.

É importante referir que todas estas operações, sobretudo nestes três teatros de operações, o grande desafio que temos tido é, de facto, conseguir criar aqui um equilíbrio entre aquilo que é o combate direto às diferentes frentes de incêndio e, em simultâneo, conseguir garantir toda a proteção necessária às localidades, às povoações que se localizam nas linhas de propagação deste incêndio, garantindo assim a devida proteção, quer às pessoas, a nossa grande prioridade, quer também às suas habitações”, frisou Patrícia Gaspar.

Questionada pelos jornalistas durante o briefing diário operacional sobre quantas aldeias do concelho de Mação é que tiveram de ser evacuadas, a adjunta nacional da Proteção Civil disse que não conseguia contabilizar o total destas aldeias, salientando que chegará o momento para se apurar o número de pessoas afetadas por este incêndio.

“Aquilo que se tem conseguido fazer, e o nosso grande objetivo tem sido atuar precocemente, preventivamente, ou seja: identificar quais são as aldeias que se encontram na linha de propagação de incêndio, mobilizar para estes locais, meios de resposta (…), preventivamente, para garantir o apoio a estas evacuações, quando são necessárias”, relatou Patrícia Gaspar.

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A adjunta de operações da ANPC explicou que a área do concelho de Mação é um setor “de um grande incêndio que é o da Sertã”, garantindo que estão alocados no combate às chamas todos os meios disponíveis e que os mesmos estão a ser geridos de “forma integrada”, respondendo assim ao autarca local, Vasco Estrela, que criticou a disposição dos meios no terreno.

Os meios são bastantes: neste incêndio da Sertã temos 1.045 operacionais, apoiados por 329 meios terrestres, chegaram a estar hoje cerca de 12 meios aéreos no teatro de operações, tivemos onze máquinas de arrasto, vários grupos de reforço. Tudo está a ser feito, todos os meios que estão ao nosso alcance estão localizados neste incêndio”, vincou Patrícia Gaspar.

Esta responsável da ANPC sublinhou que o vento forte, às vezes “com rajadas de 65/70 quilómetros hora” tem sido um fator que tem provocado “inúmeras projeções, novos focos de incêndio e reativações em zonas que já estavam dominadas”.

Patrícia Gaspar disse ainda que foram deslocalizadas duas estações móveis para a zona da Sertã para garantir a resolução de qualquer problema que possa eventualmente acontecer com o Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança em Portugal (SIRESP), salientado, no entanto, que as comunicações hoje “estiveram perfeitamente estabilizadas”.

Casas arderam em Mação, mais de uma dezena de aldeias evacuadas 

O fogo que lavra em Mação continuava, nesta terça-feira, "muito preocupante, com vento muito forte, aldeias em perigo e casas a arder", como explicou o presidente do município, Vasco Estrela, pelas 19:00. O secretário de Estado da Administração Interna dirigiu-se para o local,

Vamos ver como é que é possível tentar defender essas pessoas e localidades, tirando essas pessoas das aldeias para evitar que haja dramas humanos ou situações como a que se está a verificar em Envendos, onde já arderam hoje várias casas [algumas de primeira habitação]; ver concretamente o que aconteceu, para tentarmos perceber como é que podemos aliviar esse problema", afirmou, contabilizando um total de 10 mil hectares de área ardida desde domingo no concelho.

O autarca disse ainda que já foram evacuadas mais de uma dezena de aldeias, num total de cerca de 200 pessoas, mas algumas já regressaram a casa.

É uma situação inimaginável que não se previa que pudesse acontecer", lamentou.

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Em termos de danos materiais, os mesmos continuam a aumentar a toda a hora.

"Contam-se duas habitações permanentes ardidas na aldeia de Frei João, freguesia de Carvoeiro, além das restantes cinco já reportadas anteriormente e mais cinco agora em Envendos", disse o autarca.

"São estes levantamentos que terão de ser feitos agora à medida que o tempo for passando e que seja possível entrar nas localidades, falar com as pessoas e perceber em concreto os danos causados", acrescentou.

Questionado sobre a disponibilidade de meios ao início de noite, Vasco Estrela disse que "nunca são suficientes para um fogo desta dimensão”.

É por isso que em Mação gostamos de dizer que por mais meios que tenhamos é quase impossível dar a volta a situações complicadas destas, não se consegue resolver enquanto não houver uma intervenção estrutural na floresta", defendeu.

No entender do autarca, “há muito por explicar sobre aquilo que tem acontecido ao longo destes três dias” de fogo, em relação à repartição de meios pelo terreno.

"Os meios que estiveram presentes no teatro de operações de Mação tiveram como consequência aquilo que já aconteceu e aquilo que possa vir ainda a acontecer. Os meios que estiveram noutro teatro de operações tiveram outro tipo de consequências, espero que não tenham tido situações tão dramáticas como para nós".

O autarca referiu que, enquanto presidente do município, tem obrigação e direito de saber o que aconteceu.

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O concelho de Mação está a ser atingido por um incêndio que teve origem no concelho da Sertã (distrito de Castelo Branco), no domingo, e chegou ainda a Proença-a-Nova.

Para este combate, às 19:15, estavam mobilizados 1.095 operacionais, apoiados por 336 viaturas e 11 meios aéreos.

Há ainda a registar, no município, fogos que deflagraram esta terça-feira: um surgiu na localidade de Marmeleiro, freguesia de Cumeada e Marmeleiro, que estava a ser combatido, segundo a ANPC, por 99 operacionais apoiados por 26 viaturas e dois meios aéreos; e outro com origem em Mantela, na União de Freguesias de Mação, Penhascoso e Aboboreira.

Neste combate estão 181 operacionais, apoiados por 50 viaturas e três meios aéreos.

Habitantes de Vilas Ruivas regressam a casa

Entretanto, os habitantes de Vilas Ruivas, que durante a tarde foram evacuados por precaução, por causa do fogo que lavra em Vila Velha de Ródão, já regressaram às suas casas, disse o vice-presidente da Câmara local.

As coisas [fogo] estão mais calmas. As pessoas que tinham sido evacuadas de Vilas Ruivas já voltaram todas para casa", explicou o vice-presidente deste município do distrito de Castelo Branco, José Manuel Alves.

O autarca adiantou que neste momento existem alguns pontos ativos em Perdigão e focos na zona da serra, mas sublinhou que a situação é bem mais calma.

"Esperamos durante a noite resolver grande parte do incêndio", frisou.

O autarca disse ainda que a encosta do monumento nacional de Portas de Ródão "ardeu toda".

Fogo de Proença-a-Nova com duas frentes em São Pedro do Esteval

O fogo que lavra em Vila Velha de Ródão passou esta noite para o concelho vizinho de Nisa, no distrito de Portalegre, através do monumento natural das Portas de Ródão.

O fogo passou para o concelho de Nisa através das Portas de Ródão. Passou o rio [Tejo], mesmo na encosta do monumento natural", explicou o vice-presidente de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, José Manuel Alves.

O autarca sublinhou que o fogo continua com duas frentes ativas, uma na zona de Perdigão, "onde evolui com alguma intensidade", e outra em Vilas Ruivas, que se desenvolve em direção a Fratel.

Apesar disso, José Manuel Alves disse que estão a trabalhar no sentido de "tentar anular o incêndio" durante a noite, "embora se esteja a levantar vento, o que pode dificultar a tarefa".

Mais de 100 pessoas retiradas de casas em Belver

O número de pessoas retiradas das suas casas em Belver, concelho de Gavião, Portalegre, aumentou esta terça-feira à noite para mais de uma centena, devido a um "incêndio complicado e com grande extensão", disse o presidente do município.

É um incêndio com uma extensão muito grande e que se dispersou por várias frentes", relatou José Pio à agência Lusa, indicando que "já há mais de 100 pessoas" retiradas, por precaução, das suas casas, localizadas em pequenos aglomerados populacionais, e instaladas no Centro Social Belverense, em Belver, onde foi servida uma refeição.

Segundo o autarca, não há registo de casas ardidas, apesar da ameaça, ou de danos pessoais, estando as chamas a lavrar numa zona de mato, pinhal e eucaliptal.

Embora se trate de um "incêndio muito complicado", o autarca considerou "apropriados" os meios de combate mobilizados para o combate às chamas.

Segundo a página na Internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), o combate às chamas mobilizava, às 23:00, um total de 243 operacionais, apoiados por 79 viaturas.

O fogo deflagrou no local de Ribeira de Eiras, na freguesia de Belver, concelho de Gavião, tendo o alerta sido dado às 16:18.