A Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP) defendeu esta quarta-feira uma revisão da estratégia de combate aos incêndios florestais, para salvaguardar a integridade física dos bombeiros envolvidos, tendo em conta a atual situação dos fogos no país.

Num comunicado divulgado após uma reunião da direção, a ANBP manifestou-se preocupada com a atual situação dos incêndios florestais em Portugal devido às altas temperaturas, à grande densidade de vegetação, ao elevado número de ocorrências de fogo e de área ardida e de já existirem contabilizados, até hoje, cinco bombeiros feridos.

A ANBP sublinha também que o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais tem menos quatro meios aéreos e os equipamentos de proteção individual (EPIS) não foram distribuídos a todas as corporações de bombeiros.

Tendo em conta esta situação, a ANBP considera que “é importante uma revisão da estratégia de combate aos incêndios florestais, de forma a salvaguardar a integridade física dos bombeiros envolvidos” no terreno.

Os bombeiros profissionais defendem também que o combate deve ser feito numa perspetiva de contenção, recorrendo ao material de sapador (motosserras, por exemplo), o que no teatro de operações, e em termos técnicos, se traduz em esperar pelo incêndio e não ir ao seu encontro, situação que levará a uma revisão de estratégia de combate.

A ANBP considera ainda que continua a existir “um desequilíbrio no investimento na prevenção, em vez de se esgotarem as verbas no combate”, realçando que deve ser feita “uma maior aposta na profissionalização do setor no combate aos incêndios florestais”.

O último relatório provisório do Instituto da Conservação da Natureza das Florestas (ICNF) indica que a área ardida este ano mais do que triplicou em relação ao mesmo período de 2014, tendo os incêndios consumido 17.808 hectares de floresta.

Segundo o ICNF, entre 01 de janeiro e 30 de junho, registaram-se 7.244 ocorrências de fogo, mais 4.294 do que em idêntico período do ano passado, quando tinham ocorrido 2.950.

Os 7.244 incêndios resultaram em 17.808 hectares de área ardida, entre povoamentos (8.395 hectares) e matos (9.413 hectares), mais 12.007 do que em 2014, quando as chamas consumiram 5.801 hectares, refere o mesmo documento.