O presidente da Liga dos Bombeiros classifica de “onda terrorista devidamente organizada” o que se passa em Portugal relativamente aos incêndios florestais. Ao mesmo tempo, julga que devia ter sido antecipado o pedido de ajuda de meios aéreos.

Jaime Marta Soares diz que é impossível haver ignições de fogo com uma frente tão vasta como as que se têm verificado nestes últimos fogos na zona norte e centro do continente e na Madeira. E faz notar que 98% dos fogos florestais têm mão humana e que, desses, 75% serão de origem criminosa.

Depois de uma audiência com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Liga dos Bombeiros referiu-se ainda ao pedido de reforço de meios aéreos feito pelo Governo à União Europeia: não considera que tenha sido incompetência política o timing em que o mesmo foi solicitado, mas sim “um erro estratégico”.

Espera que, depois deste período de incêndios, sejam efetivamente tomadas decisões políticas de verdadeira prevenção dos incêndios, para que se evite repetir todos os anos as mesmas discussões, sem consequências.

Uma das propostas da Liga dos Bombeiros é a criação de um observatório nacional para os incêndios florestais, que analisa as diversas questões no que respeita quer à prevenção quer ao combate aos fogos.

“Há uma negligência criminosa em não se levarem por diante projetos de reflorestação”

Tem sido uma semana de inferno para populações e operacionais no terreno que estão a combater chamas um pouco por todo o país. Os incêndios já queimaram mais de 90.000 hectares este ano, muito mais do que a média anual de área ardida verificada entre 2008 e 2015 - um pouco mais do que 70.000 hectares.

Esta sexta-feira, há seis fogos a preocupar os bombeiros