O bombeiro de Valença ferido na quinta-feira com várias queimaduras num incêndio naquele concelho está em coma induzido e ventilado, apresentando um prognóstico «muito reservado», disse esta sexta-feira à Lusa o presidente da corporação.

«Está com um prognóstico muito reservado uma vez que a área queimada tem a ver com a parte superior do corpo e as vias respiratórias. A recuperação vai depender muito da maneira como o organismo reagir aos tratamentos a que está a ser submetido», explicou o presidente da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Valença, Luís Brandão Coelho.

O bombeiro, de 51 anos, foi transportado ao início da tarde de quinta-feira pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) de Valença para o hospital de Braga e pouco depois transferido para a unidade de queimados do Centro Hospitalar de Coimbra, face à gravidade dos ferimentos.

«A boa notícia é que a extensão dos ferimentos é menor do que a do diagnóstico inicial, passou de 30 para 20%, mas o problema é que a gravidade é maior. As queimaduras são de 3.º grau, numa zona crítica para a sua sobrevivência», acrescentou Luís Brandão Coelho.

As principais queimaduras estendem-se pela zona da cabeça e do pescoço, pelo que nesta altura o bombeiro permanece em coma induzido e com respiração assistida.

«Vamos aguardar pelos próximos dias para ver se consegue regenerar o corpo e recuperar, que é o que todos desejamos», apontou ainda.

O bombeiro integrava uma equipa de 16 homens que, ao início da tarde de quinta-feira, combatia as chamas na freguesia de Sanfins, em Valença, assumindo a função de motorista do Veículo Florestal de Combate a Incêndios (VFCI), que também foi atingido pelas chamas.

«Ao tentar retirar a viatura foi envolvido nas chamas, numa reviravolta do fogo provocada pelo vento», explicou, na ocasião, o presidente da corporação.

Trata-se de um elemento com «muita experiência» e que é voluntário desde 1987, precisou Brandão Coelho, admitindo que este caso tem vindo a afetar «psicologicamente» os restantes elementos daquela corporação.

Psicólogos do INEM e da Câmara de Valença estiveram na quinta-feira no quartel daquela corporação para apoiar os bombeiros que se encontravam no combate às chamas e que apresentarem sintomas de «stress pós-traumático», admitiu ainda o responsável.