O presidente da Câmara de Arganil defendeu esta quinta-feira que o Estado deveria ter uma maior intervenção na estabilização dos solos, através de uma solução semelhante à encontrada na Galiza, em que foi lançada palha por meios aéreos.

Na Galiza, aquilo que o Estado está a fazer em zonas onde não há arvoredo é espalhar palha, com helicópteros [pelos montes queimados]. É uma solução que contribui para o não deslizamento das cinzas", afirmou o presidente da Câmara de Arganil, Luís Paulo Costa, que acompanhou esta quinta-feira a visita da secretária de Estado da Segurança Social, Cláudia Joaquim, ao concelho.

Questionado pela agência Lusa, Luís Paulo Costa frisou que essa intervenção seria um "projeto importante e útil", mas que os municípios "não têm capacidade" para o implementar, defendendo que o Estado deveria assumir esse papel.

Segundo o autarca, esta solução seria importante de se aplicar nos montes da região que tinham "vastas áreas com vegetação rasteira" e em que o solo, após a passagem das chamas, ficou "completamente nu".

Luís Paulo Costa recordou que em 2006, após os grandes incêndios de 2005, um turista morreu em Arganil, na zona do Piódão, vítima de uma enxurrada após "uma chuvada em meados de junho".

O autarca, que falava com os jornalistas, notou também que esta quinta-feira foi "a primeira vez que um membro do Governo" se deslocou a Arganil, no distrito de Coimbra, desde o incêndio de 15 de outubro.

O presidente da Câmara lamentou que tenha esperado "tanto tempo" para ter um membro do Governo a passar pelo seu concelho.

Um mês é muito tempo", vincou.

O autarca eleito pelo PSD constatou ainda que, se no caso das empresas e das habitações a informação tem sido "coerente", no caso da agricultura tal já não se verifica.

"Há ainda alguma confusão em relação à informação", disse.

Luís Paulo Costa sublinhou ainda que não ouviu "rigorosamente nada" sobre o reordenamento florestal e a propriedade na região afetada, por parte do Governo, esperando também que haja um plano de revitalização económica das zonas atingidas pelas chamas, à imagem daquilo que aconteceu no Pinhal Interior, após os grandes fogos de Góis e de Pedrógão Grande.