A área ardida este ano quase que duplicou em relação a 2015, tendo os incêndios florestais consumido, até 31 de agosto, 107.128 hectares, revelou hoje a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Em contrapartida, o número de ocorrências de fogo registadas, entre 01 de janeiro e 31 de agosto, desceu quase 25 por cento face ao mesmo período de 2015, segundo os dados da ANPC divulgados em conferência de imprensa.

De acordo com a ANPC, 10.288 ocorrências de fogo registaram-se até 31 de agosto, menos 3.194 do que no mesmo período de 2015, quando já tinham ocorrido 13.094 incêndios.

Os 10.288 fogos deste ano provocaram 107.128 hectares de aérea ardida, enquanto no ano passado este valor se situava nos 58.601 hectares.

Em conferência de imprensa de balanço dos incêndios registados até agosto, o comandante nacional operacional da ANPC, José Manuel Moura, afirmou que a área ardida está acima da média dos últimos dez anos, com valores semelhantes a 2013 e 2010, mas inferiores a 2003 e 2005.

José Manuel Moura salientou também que 45 por cento (47.954 hectares) do total da área ardida este ano ocorreu em incêndios com início a 08 de agosto.

Estes dados não incluem os incêndios que também ocorreram em agosto, na Madeira.

O comandante adiantou que o passado mês de agosto registou um número de ocorrências e de área ardida “bastante superior” ao valor médio dos últimos dez anos.

No período de 06 a 15 de agosto, dias em que esteve em vigor o Estado de Alerta Especial (EAE) laranja, devido à extrema severidade meteorológica, a ANPC registou 3.139 incêndios, que envolveram 74.006 operacionais, 20.010 viaturas, 1.215 missões com meios aéreos, além de terem enviado um reforço para a Madeira.

Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro e Viseu foram os distritos mais fustigados pelos incêndios, nestes dias de agosto.

Portugal recebeu também ajuda internacional durante este período, tendo estado no país dois aviões de Marrocos, Espanha, Rússia e um de Itália.

José Manuel Moura justificou os valores da área ardida com a severidade meteorológica, que registou, este ano, o quinto valor mais alto dos últimos 17 anos.

“A severidade meteorológica muito alta explica esta área ardida”, disse o comandante, sublinhando que “é muito difícil competir” com “a violência da velocidade” que os incêndios tinham na sua origem.

Os dados indicam também que o distrito do Porto é o que regista o maior número de incêndios entre 01 de janeiro e 31 de agosto, mas a área ardida atingiu valores mais significativos no distrito de Aveiro, sendo Arouca e Águeda os concelhos mais prejudicados pelos fogos.