Ao fim de cinco dias, e depois de mais uma noite em claro para os bombeiros, o incêndio de Góis está finalmente em resolução, dado como dominado, o que aconteceu pelas 07:41, segundo a informação que consta na página da Proteção Civil. Isto numa altura em que o número de feridos continua a subir: já vai em 254, entre os fogos de Pedrógão e Góis.

Para grande satisfação de todos aqueles que se empenharam neste teatro de operações, conseguimos o nosso objetivo. (...) Neste momento o incêndio está dado como dominado"

Eram 08:00 quando foi feito o balanço aos jornalistas pelo comandante operacional Carlos Tavares que admitiu que ainda poderão haver algumas reativações, dadas as temperaturas e o tempo seco, mas há mostras de alívio e "grande satisfação". 

Vamos passar a consolidar o rescaldo, o perímetro é muito grande que atingiu três concelhos - Góis, Arganil e Pampilhosa da Serra, ainda rondará os 20 mil hectares".

A situação meteorológica está a favorecer combate às chamas. As temperaturas diminuíram e a humidade relativa subiu de forma significativa na região centro do país.

Mantém-se o efetivo no terreno- 1.010 efetivos (incluindo 103 bombeiros espanhóis -, apoiados por 284 veículos, mas os meios aéreos não puderam ajudar nos trabalhos de rescaldo, por causa do nevoeiro. 

Nevoeiro primeiro, algumas abertas a seguir

Pelas 12:15, num novo balanço, a Proteção Civil indicou que já havia abertas no nevoeiro para que os meios aéreos atuarem. 

"Vai ser feito reconhecimento por helicóptero da Força Aérea, para ver se há condições para que os meios aéreos possam operar. Já há teto em determinados sítios, vamos apostar nesses". 

O comandante operacional lembrou que o interior do país está "em risco máximo e muito elevado de incêndio", o que "pode provocar reativações, que podem ser fortes". Daí haver bombeiros em todo o perímetro, com a ressalva de que "não se consegue movimentar carro de bombeiros como no litoral, que é plano. Tempo de chegada é sempre mais lento".

Ao início da manhã, estava previsto que chegassem quatro meios aéreos pesados (dois aviões canadair) e dois helicópteros pesados "para consolidar e arrefecer todo este perímetro", explicou o comandante operacional, dando como estimativa 20 mil hectares de área ardida. 

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Cinco dias para dominar o incêndio

O comandante justificou também que a velocidade do vento, as condições atmosféricas "completamente" adversas (muita trovoada, raios que provocaram novos incêndios) e o histórico do incêndio, que alastrou a vários concelhos, fizeram com que o incêndio demorasse tantos dias a ser dominado. 

Antes, à TSF, o vice-presidente da Câmara de Góis Mário Garcia tinha dito que "foi controlada a frente que havia e neste momento está tudo calmo. Não houve reacendimentos, neste momento não há nada de grave".

Site Proteção Civil

Pessoas já regressaram

Durante a manhã foi feito um planeamento para estudar a melhor forma de as pessoas de 22 aldeias que ainda não tinham regressado a casa pudessem fazê-lo. Pela hora de almoço, a Proteção Civil informou que os habitantes de 17 aldeias já tinham voltado para os seus lares. 

Em 10 lugares, havia nessa altura pessoas por distribuir. Demorou mais tempo porque, em causa, estavam pessoas acamadas. A Cruz Vermelha e Bombeiros atuou, no sentido de as transportar. 

Pelas 14:00, o secretário de Estado da Administração, Jorge Gomes, indicou que todos os deslocados tinham já regressado a casa.

Em Góis, todas as pessoas que foram deslocadas ao longo dos dois últimos dias já estão nas suas próprias casas, o que é motivo de satisfação, não só para as pessoas, como para as comunidades e para nós próprios".

"Difícil prever extinção do incêndio em Pedrógão"

Já o incêndio de Pedrógão Grande foi dado como dominado ontem à tarde, mas operacionais e meios estão de prevenção no terreno. 

A noite entre quarta-feira e hoje foi de acalmia, mas "é difícil prever a extinção do fogo", disse o comandante operacional responsável pelas operações, António Ribeiro, eram cerca de 10:00. "Este é um trabalho continuado. As causas dos reacendimentos são várias".

De momento, o incêndio está perfeitamente consolidado ao perímetro que tem. Há algumas bolsas com alguma dimensão que não arderam, mas com todo o trabalho feito desde ontem e de noite, estamos a eliminar esses pontos quentes"

António Ribeiro adiantou que essas bolsas dentro do perímetro do teatro de operação têm "áreas significativas, entre os 20 e os 50 hectares, que não arderam". "Continuamos a contar, sempre que necessário, com os meios aéreos".

No terreno continuam 1.200 operacionais, apoiados por 400 viaturas, para fazer o trabalho de consolidação, rescaldo e vigilância ativa.

Vai ser realizado, até ao próximo domingo, o inventário das habitações afetadas pelos incêndios, segundo um edital da Câmara.

Os proprietários devem “identificar o artigo matricial urbano ou registo da conservatória [e apresentar] documentos de identificação dos proprietários e seguro de casa, caso exista”.

Em caso de dúvidas, os munícipes devem contactar o vereador Bruno Gomespara o número 964 184 362.

Feridos continuam a aumentar

Em relação ao número de vítimas, a Proteção Civil fez uma atualização esta manhã, que aponta para 254 feridos nos dois fogos.

O número de mortes mantém-se nos 64 (no incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande). Outro dado relevante: 819 pessoas receberam apoio psicológico.

Risco elevado de incêndio

Os concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Góisestão em risco elevado de incêndio, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Também hoje em risco elevado estão os concelhos de Alvaiázere e Figueiró dos Vinhos, em Leiria, e Pampilhosa da Serra, em Coimbra.

Em risco máximo de incêndio, por sua vez, estão uma série de concelhos: Gavião e Nisa (Portalegre), Vila Velha de Ródão, Penamacor e Proença-a-Nova (Castelo Branco), Mação (Santarém), Sabugal, Pinhel, Trancoso, Meda, Figueira de Castelo Rodrigo e Vila Nova de Foz Coa (Guarda); Sernancelhe, Tabuaço, Penedono, Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta, Alfândega da Fé, Mogadouro e Vimioso (Bragança).

Estradas reabertas

Entretanto, também de madrugada, foram reabertas as estradas que estavam cortadas: a Estrada Nacional 2 e a Estrada Municipal 543, ambas no concelho de Góis (Coimbra).

“Não há estradas cortadas devido a incêndios”, disse fonte da GNR à Lusa, fazendo um ponto de situação a nível nacional.

Porém, o incêndio em Góis encontra-se ainda uma frente ativa, com 400 metros de extensão.