O Ministério da Agricultura tem em funcionamento na Herdade do Patacão, em Faro, um centro de entrega de ração de emergência, palha e feno para distribuição aos animais das explorações afetadas pelo incêndio de Monchique.

Em comunicado, o ministério liderado por Capoulas Santos adiantou hoje que as operações de recolha e entrega de alimentos para os animais vão ser coordenadas pela Direção Regional de Agricultura e Pesca do Algarve (DRAPAL), em articulação com a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), com as autarquias de Monchique e Silves, bem como com a Companhia das Lezírias.

Desde quarta-feira que está a ser assegurada a resposta imediata às necessidades de alimentação animal, através do fornecimento de fardos de palha doados pela Quinta do Freixo”, disse.

Do mesmo modo, referiu que, desde o segundo dia de incêndio, está em funcionamento na Escola EB de Monchique um “espaço para o alojamento dos animais” retirados das “zonas críticas”.

Segundo os últimos dados divulgados, até ao momento foram recolhidos cerca de duas dezenas de animais.

Ordem dos Veterinários agradece esforço e mobilização 

A Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) agradeceu hoje o esforço de mobilização coletivo para salvar os animais afetados pelo incêndio em Monchique, distrito de Faro, que foi hoje de manhã considerado como dominado.

Em comunicado, a Ordem agradece a todos os intervenientes pela “forma altruísta” como deram o seu melhor, “assegurando uma cobertura de 24 horas, por turnos, num cenário nem sempre fácil”.

A Ordem lembra que foi criado no local um “hospital de campanha” para triagem dos animais resgatados, com materiais e equipamentos encaminhados dos dois centros de recolha criados, direcionando alguns casos para pontos de apoio nos concelhos limítrofes.

De acordo com a OMV, foi intenção, desde o início, “contribuir para que a ajuda fosse coordenada”, lembrando que em situação de catástrofe “é essencial garantir a segurança e não perturbar os meios operacionais”.

Também foi uma preocupação conseguir limitar o surgimento de pessoas que, dando avulso o seu contributo, sem a devida integração, e não respeitando os planos de segurança, podem criar informações erradas do que realmente ocorre no terreno, gerando o pânico, sobretudo através das redes sociais”, refere a OMV no comunicado.

A Ordem reconhece que, embora, as consequências de uma situação deste tipo, havendo a lamentar a morte de vários animais, os animais com necessidade de atendimento “foi sempre limitado e a resposta totalmente suficiente pelo mecanismo instalado”.

De acordo com o comunicado, a Ordem procede agora ao “levantamento e eliminação dos cadáveres de animais mortos”, para garantia da saúde publica, bem como à entrega dos animais resgatados aos respetivos donos e ainda, à sinalização, no terreno, de animais com necessidades alimentares e de cuidados médicos.

O incêndio rural, combatido por mais de mil operacionais e considerado dominado hoje de manhã, deflagrou no dia 3 à tarde, em Monchique, distrito de Faro, e atingiu também o concelho vizinho de Silves, depois de ter afetado, com menor impacto, os municípios de Portimão (no mesmo distrito) e de Odemira (distrito de Beja).

A Proteção Civil atualizou o número de feridos para 41, um dos quais em estado grave (uma idosa que se mantém internada em Lisboa).

De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais, as chamas já consumiram cerca de 27 mil hectares. Em 2003, um grande incêndio destruiu cerca de 41 mil hectares nos concelhos de Monchique, Portimão, Aljezur e Lagos.

Na terça-feira, ao quinto dia de incêndio, as operações passaram a ter coordenação nacional, na dependência direta do comandante nacional da Proteção Civil, depois de terem estado sob a gestão do comando distrital.