Situação dramática na Madeira. O fogo que parecia controlado, desceu a encosta durante e noite e está praticamente a três quilómetros do centro do Funchal. Várias casas já foram consumidas pelo fogo, noticia a TVI24.

Os bombeiros não estão a conseguir travar o avanço das chamas, o fogo está numa zona de casario e já está a chegar à freguesia do Monte. O vento sopra com grande intensidade e muda muito rapidamente de direção.

De acordo com a Lusa, cerca de 200 pessoas foram durante a madrugada desta terça-feira retiradas de vários pontos do Funchal e do Hospital dos Marmeleiros, na freguesia do Monte, na sequência dos diversos focos de incêndio que lavram desde a tarde de segunda-feira no concelho. No entanto, muitas pessoas ficaram para trás e tentaram salvar alguns bens.

"A situação agravou-se e tivemos de realojar pessoas no Regimento de Guarnição N.º 3 (Funchal), temos cerca de 200 pessoas que estão a ser acompanhadas", disse a Secretária Regional da Inclusão e Assuntos Sociais, que tutela a área da Proteção civil do governo madeirense à agência Lusa.

A responsável adiantou que por motivos de prevenção e segurança também foram deslocados doentes do Hospital dos Marmeleiros, situado na freguesia do Monte, sobretudo pessoas que sofrem de doenças respiratórias, por decisão do Secretário Regional da Saúde.

Rubina Leal adiantou ser difícil neste momento avançar com o número de casas que já foram consumidas e ficaram danificadas pelo fogo, que lavra desde cerca das 16:00 de segunda-feira no concelho do Funchal. 

"Não consigo dizer quantas casas estão destruídas, porque os meios estão no terreno e estamos empenhados em apoiar a população desalojada e controlar o fogo", disse.

De acordo com a responsável estão no terreno todos os meios e oito corporações de bombeiros estão envolvidas no combate aos incêndios. Os bombeiros também na freguesia de Canhas, concelho da Ponta do Sol, e do Campanário, no município de Câmara de Lobos, estão a combater outras frentes de incêndio florestal na ilha da Madeira.

Autocarro de passageiros ardeu e viaturas da câmara retiradas

De acordo com a TVI24, dezenas de autocarros foram também retirados da central de camionagem do Funchal e foram ouvidas várias explosões durante a noite.

 A via rápida que atravessa a ilha está cortada porque existem pedras que caíram da encosta a obstruir a circulação. O Governo Regional da Madeira informa que o troço da via rápida, a principal artéria da ilha, entre a zona de São Martinho e Pestana Júnior está encerrado por razões de segurança, devido aos incêndios no Funchal.

De acordo com uma nota divulgada pela secretaria regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, a situação está relacionada com o facto de as chamas terem atingido “algumas construções e habitações de um talude sobranceiro ao nó dos Viveiros”.

A mesma informação refere que, “após o término do trabalho dos bombeiros, os técnicos que se deslocaram para o terreno verificaram a existência de problemas profundos nas coberturas das construções e numa das paredes das moradias”, uma situação que vem inviabilizar a circulação na via.

Uma viatura da empresa de transportes públicos Horários do Funchal, sediada na zona dos Viveiros, incendiou-se esta terça-feira de manhã na sequência dos fogos que lavram no concelho, disse o presidente da Câmara do Funchal.

Em declarações à agência Lusa, Paulo Cafôfo disse também que foi dada a indicação para as viaturas serem retiradas do parque da empresa devido à situação complicada registada na zona dos Viveiros.

O município decidiu também retirar todas as viaturas do parque que a autarquia tem naquela zona da cidade, devido ao risco de incêndio e à presença de um depósito de combustível nas proximidades.

Paulo Cafôfo adiantou que está a ser equacionada a possibilidade de serem retiradas as pessoas que estão no Lar de Santa Isabel da Santa Casa da Misericórdia “por precaução”, à semelhança do que aconteceu com o Hospital dos Marmeleiros, no Monte.

O fogo também chegou ao lado sul do Parque Ecológico do Funchal e à zona do Terreiro da Luta, na zona do Monte.

O presidente do Governo madeirense informou que existem quatro frentes de fogo ativa na Madeira, nas zonas do Funchal, Ponta do Sol e Campanário.

No concelho existem vários focos de incêndios em diversos locais, nomeadamente Alegria, São Roque, Fundoa, Monte, Lombinho, Romeiras e Viveiros, envolvendo no combate oito corporações de bombeiros.

De acordo com informação da autarquia, nove estradas do Funchal encontram-se encerradas: a Via Rápida, entre o Nó de Sto. António e o da Pestana Júnior, a da Corujeira, a Regional 103 (no cruzamento com a Estrada da Corujeira, o caminho dos Saltos e as ruas João Abel de Freitas, do Comandante Camacho de Freitas, da Fundoa, da Bugiaria e a travessa da Terça.

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A PJ anunciou na segunda-feira ter detido o presumível autor de fogo posto no Funchal, que será ouvido esta terça-feira pelas autoridades judiciárias.

Governo da Madeira ativa plano de contingência regional

O presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque, informou esta terça-feira que foi acionado o plano de contingência regional e que existem quatro frentes ativas de incêndio em diversos pontos da ilha.

“Neste momento [cerca das 08:00] existem quatro frentes de fogo ativas, no Funchal, Canhas (Ponta do Sol), Ponta do Sol e Campanário (Câmara de Lobos)”, disse o governante madeirense na conferência de imprensa para balanço da situação dos incêndios que lavram desde as 16:00 de segunda-feira na Madeira.

O Plano Municipal de Emergência da cidade do Funchal também foi ativado, numa decisão votada por unanimidade, informou a Câmara.

"Acaba de ser ativado o Plano Municipal de Emergência, pela Comissão Municipal de Proteção Civil, votado por unanimidade", pode ler-se num documento camarário.

O Serviço Regional de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM) fez esta terça-feira um apelo público aos enfermeiros para que estes se dirijam diretamente ao Hospital Central do Funchal, ao invés do hospital dos Marmeleiros que foi evacuado pelas autoridades.

Governo Regional pondera recurso a fundo de 187 mil euros

O presidente do Governo da Madeira anunciou que o executivo insular vai analisar esta terça-feira a possibilidade de recorrer a um fundo de 187 mil euros para apoiar a reconstrução de habitações afetadas pelos incêndios que lavram na região.

Vamos já deliberar hoje. Há um fundo para apoiarmos a reconstrução de cerca de 187 mil euros, se não estou em erro”, disse Miguel Albuquerque aos jornalistas, numa conferência de imprensa improvisada, no terraço de uma habitação na freguesia do Monte, uma das zonas mais afetadas pelos incêndios que deflagraram na segunda-feira na ilha da Madeira.

O responsável admitiu “não existirem muitas casas de momento disponíveis” para entregar a pessoas que tenham as suas residências danificadas pelo fogo e a secretária regional que tutela a Proteção Civil, Rubina Leal, acrescentou que os técnicos da Investimentos Habitacionais da Madeira “já estão a fazer um levantamento”.

Cancelado último dia de fórum de emigrantes

O Governo Regional da Madeira cancelou esta terça-feira o programa do segundo e último dia do Fórum Madeira Global, devido aos incêndios de grandes proporções que afetam a ilha.

O Fórum Madeira Global reuniu, na segunda-feira, no Funchal, cerca de 150 elementos de diversas comunidades emigrantes madeirenses e o programa previa, para esta terça-feira à tarde, a cerimónia de tomada de posse dos novos conselheiros da Diáspora Madeirense, que ficou suspensa.

O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, e secretário dos Assuntos Parlamentares e Europeus, Sérgio Marques, entidades que podem conferir essa posse, encontram-se no terreno a acompanhar a evolução do combate aos incêndios na Região.

De acordo com informação do Executivo, “O Governo Regional compromete-se a realizar a agenda que constava no último dia dos trabalhos num futuro a determinar”,

Na mesma nota acrescenta-se que as conclusões deste encontro de elementos das diferentes comunidades emigrantes madeirenses “serão, igualmente, divulgadas em momento oportuno”.

Também foram canceladas as iniciativas agendadas por vários partidos na região (PCP e PTP).