Autarcas e ex-autarcas, funcionários municipais, elementos da Proteção Civil e trabalhadores de empresas privadas estão entre os 16 arguidos do inquérito que investiga os incêndios de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, que provocaram 66 mortos.

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, António Arnaut, e Mário Cerol, 2.º comandante operacional distrital, estão entre as primeiras pessoas constituídas arguidas, em dezembro de 2017.

Ainda no âmbito da Proteção Civil, Sérgio Gomes, que quando ocorreram os incêndios era comandante operacional distrital e agora é adjunto de Operações Nacional na Autoridade Nacional de Proteção Civil, é também arguido.

São igualmente arguidos o presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, Jorge Abreu, o ex-presidente da Câmara de Castanheira de Pera Fernando Lopes e o ex-vereador do Município de Pedrógão Grande José Graça.

Dois funcionários desta Câmara são também arguidos neste inquérito.

Ao nível de empresas privadas, a Ascendi Pinhal Interior confirmou em maio ter “conhecimento que dois dos seus colaboradores afetos a esta subconcessionária foram ouvidos em interrogatório e constituídos arguidos no âmbito da investigação” aos incêndios de Pedrógão Grande.

Esta sexta-feira, numa informação enviada à Lusa, a Ascendi Pinhal Interior “adiantou que nos últimos dias foram constituídos, a título individual, outros arguidos desta sociedade”, mas não revelou o número.

A administração da Ascendi Pinhal Interior e os seus colaboradores têm vindo a colaborar com as autoridades judiciárias, estando seguros de que cumpriram rigorosamente todo o quadro legal, não lhes sendo imputável qualquer responsabilidade”, acrescenta a empresa.

Já a EDP Distribuição também se escusou a precisar o número de seus funcionários que supostamente terão sido constituídos arguidos, apenas dizendo que a empresa “tem vindo a colaborar com o Ministério Público no âmbito do processo de inquérito em curso, aguardando as conclusões do mesmo”.

Os incêndios que deflagraram na zona de Pedrógão Grande, norte do distrito de Leiria, em junho de 2017, provocaram 66 mortos: a contabilização oficial assinalou 64 vítimas mortais, mas houve ainda registo de uma mulher que morreu atropelada ao fugir das chamas e uma outra que estava internada desde então, em Coimbra, e que acabou também por morrer. Houve ainda mais de 250 feridos.

Hoje, a Procuradoria da Comarca de Leiria anunciou que aumentou para 16 o número de arguidos no inquérito que investiga estes incêndios.

Segundo informação da Procuradoria disponibilizada no seu sítio na Internet, os arguidos são “todos pessoas singulares”.

A mesma nota reafirma que neste inquérito, dirigido pelo Ministério Público do Departamento de Investigação e Ação Penal de Leiria, “estão em causa factos suscetíveis de integrarem os crimes de homicídio por negligência e ofensas corporais por negligência”.

A Procuradoria reitera que o inquérito, em segredo de justiça, “encontra-se em avançado estado de investigação, tendo já sido realizadas inúmeras diligências, sobretudo de caráter pericial, e ouvidas mais de duas centenas de testemunhas”.

Nesta investigação, o Ministério Público é coadjuvado pela Polícia Judiciária.