O secretário de Estado do Desenvolvimento e da Coesão, Nelson Souza, disse, nesta quarta-feira, que 20% das habitações que as chamas destruíram em outubro de 2017 na região Centro já estão reconstruídas ou a ser alvo de obras.

Temos 1.066 habitações danificadas ou totalmente destruídas. Dessas, 20% já têm obra em execução ou já estão concluídas”, indicou Nelson Souza aos jornalistas, em Tondela, após a assinatura do contrato entre a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) e o consórcio responsável por obras de reconstrução de habitações permanentes atingidas neste concelho do distrito de Viseu.

Segundo o secretário de Estado, juntando a empreitada cujo contrato foi hoje assinado em Tondela – que prevê a reconstrução de 94 casas, num investimento de 12 milhões de euros – “os 20% passarão para 25%”.

Ou seja, a muito curto prazo teremos um quarto das obras em execução ou concluídas”, frisou.

Na sua opinião, o arranque das obras “é muito importante para as pessoas começarem, de facto, a acreditar”, porque “dizer-lhes que o projeto já está pronto ou que a licença já está quase concluída, não as convence assim tanto como ver a obra no terreno”.

Nelson Souza mostrou-se confiante de que o visto do Tribunal de Contas chegue rápido para as obras entrarem em execução.

Temos a certeza de que temos o processo bem instruído e devidamente esclarecido e organizado, tendo nós total disponibilidade para a prestação dos esclarecimentos que eventualmente o Tribunal de Contas venha a pedir”, acrescentou.

O presidente da Câmara de Tondela, José António Jesus, disse esperar “a maior celeridade” do Tribunal de Contas, “para que se iniciem os trabalhos, quer da elaboração dos projetos, que sempre demorarão algum tempo, onde se procurará ajustar a adequação da edificação e dimensão e expectativas do agregado familiar, quer a construção ou reconstrução de tantas casas que são habitação própria e permanente”.

“Todas estas fases não nos permitem ter tempo para perder um segundo que seja, visando garantir que todas estas obras estejam concluídas, tendencialmente, até ao final do presente ano”, sublinhou.

O autarca quer garantir que “as cerca de 170 famílias que precisam de apoio (das 224 que viram as suas primeiras habitações atingidas pelos incêndios) irão ter, em breve, um motivo de esperança e que voltarão a sorrir”.

A presidente da CCDRC, Ana Abrunhosa, lembrou que as 94 casas abrangidas pela empreitada cujo contrato foi hoje assinado se referem a obras com valores superiores a 25 mil euros, mas garantiu que “as restantes famílias que fizeram o seu pedido terão resposta esta semana”.

José António Jesus disse que, a par desta fase, a autarquia está também focada “no apoio à indústria, ao comércio e serviços” e que quer “reforçar o apoio ao setor primário, seja na reposição de alguns efetivos animais, seja no apoio ao restabelecimento de infraestruturas e equipamentos”.

“Ao mesmo tempo, pretendemos reforçar a esperança no território”, afirmou.

Nesse âmbito, avançou que o município pretende entregar este mês duas candidaturas ao Programa Valorizar: “Uma intermunicipal para o reforço da estratégia das aldeias de montanha e outra para a revitalização dos viveiros do Caramulo, potenciando a diversificação das atividades lúdicas e turísticas, do património paisagístico, num contexto de promoção dos recursos locais”.

Na sua opinião, “não será de desvalorizar a necessidade de se avançar para a implementação do programa de recuperação de infraestruturas municipais, através do Fundo de Emergência Municipal (FEM), onde se incluirá a ecopista, que carece de uma intervenção rápida e urgente”, de forma a salvaguardar “o potencial e a segurança deste equipamento que se mantém aberto a todos os que o frequentam”.