2014 é o ano com menos incêndios deste século. Os números já revelados, publicamente, pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), provam isso mesmo. Em comparação com 2013, um ano trágico para a floresta nacional, que roubou a vida a oito bombeiros e viu reduzido a cinzas milhares de hectares, 2014 revela-se um ano positivo. Ardeu um quinto da área em relação ao ano passado.

E porquê? Porque São Pedro tem dado uma ajuda e porque os bombeiros parecem ter aprendido com os erros do ano passado.

Há dois motivos principais para os bons resultados deste ano. As condições meteorológicas têm lugar de destaque: as temperaturas médias têm estado mais baixas, o calor é menos intenso, o inverno foi muito chuvoso e a taxa de humidade no ar tem sido muito alta.

Mas, além do tempo, os bombeiros parecem ter aprendido com os erros do passado. Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), admitiu recentemente que os homens que estão no terreno são quase «os mesmos que os do ano passado» e que apenas estão a provar que «é possível fazer melhor do que já se fez».

Jaime Marta Soares afirmou que este ano os bombeiros tiveram uma «melhor formação» e estão «a interagir» de forma mais eficaz com os outros agentes no terreno como, por exemplo, o Grupo de Intervenção Rápida da GNR. Ajudados por mais recursos humanos no terreno.

Este ano há também «mais e melhor equipamento» disponível na luta contra os incêndios. O presidente da LBP ressalvou já que, este ano, «há mais e melhores meios aéreos». A estratégia escolhida de atacar as ocorrências de forma «mais musculada e mais rápida» também parece estar a funcionar.

O que já ardeu este ano

Entre 1 de janeiro e 15 de agosto, registaram-se 5161 ocorrências, que destruíram 8645 hectares. Apenas um quinto do valor registado em 2013. Até agora, 2014 é o ano com menos incêndios deste século. Os dados fazem parte do último relatório provisório de incêndios florestais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Das ocorrências, 824 foram fogos em floresta e 4337 fogachos. Do total, apenas 11 são considerados, pelas autoridades, como grandes incêndios, porque registaram uma área ardida igual ou superior a 100 hectares. Estas 11 ocorrências consumiram 2972 hectares.

Por esta altura, em 2013, já tinham sido registadas 8997 ocorrências e já tinham ardido 41778 hectares.

O relatório do ICNF compara os incêndios florestais dos últimos dez anos (entre 2004 e 2013) e conclui que este ano, 2014, registaram-se menos 61% de ocorrências e ardeu menos 87% de área, que a média da década. Os dados revelam ainda que julho foi o pior mês de 2014, com 1320 fogos, embora em junho se tenham consumido mais hectares.

O mesmo documento admite que um inverno muito chuvoso e um mês de julho com valores médios de temperatura inferiores ao habitual contribuíram para estes números positivos.

Mais incendiários detidos

Apesar de haver menos incêndios e área ardida, este ano a Polícia Judiciária já deteve, pelo menos, 20 pessoas pelo crime de incêndio florestal, mais 14 do que no mesmo período de 2013.

O número refere-se apenas aos primeiros seis meses do ano e mostra que as detenções, entre janeiro e junho, mais do que triplicaram em relação a igual período de 2013, quando a PJ deteve seis pessoas.