A Infraestruturas de Portugal (IP) prometeu, este sábado, analisar as recomendações do inquérito relativo ao autocarro que ardeu integramente, dentro do Túnel do Marão, em junho do ano passado. 

O inquérito revela um “hiato temporal” de “36 minutos” entre o alerta e o início do combate e aconselha uma revisão dos procedimentos para agilizar a chegada dos meios. Apesar de tudo, o incêndio não provocou feridos.

Hoje, depois de ser conhecido o relatório, fonte da IP, responsável pela infraestrutura rodoviária, disse à agência Lusa que “irá analisar as recomendações inscritas no relatório e trabalhar em conjunto com a diversas entidades, nomeadamente a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), no sentido de implementar as medidas determinadas no despacho conjunto”.

O relatório refere que é preciso “aperfeiçoar os procedimentos previstos em matéria de evacuação” e aponta situações caricatas como o número de telefone do contacto da IP estar errado no Plano de Intervenção da infraestrutura rodoviária.

PSD desconfia que túnel abriu sem condições de segurança

A propósito, o deputado e vice-presidente da bancada parlamentar do PSD Luís Ramos afirmou hoje que suspeita que o Túnel do Marão abriu em maio de 2016 sem “estarem integralmente asseguradas” todas as condições de segurança.

“E a prova é que, se agora há urgência em rever os planos de atuação no Túnel do Marão, é porque as falhas são graves”, disse à agência Lusa Luís Leite Ramos, vice-presidente da bancada parlamentar do PSD.

Juntando as peças, estou cada vez mais convencido de que não garantiram as condições para o túnel abrir. Faltou formação, faltam meios e falta articulação entre os diversos agentes da proteção civil”.

E faltou também, destacou, a realização de um simulacro antes da inauguração da infraestrutura rodoviária a 7 de maio de 2016.

“A minha convicção é de que abriram à pressa e não garantiram as condições, por exemplo, o simulacro tinha que ser feito antes da abertura para garantir que os dispositivos estavam a funcionar. Nunca fizeram nenhum teste quer do plano de Emergência Interno, quer do plano de Intervenção, para verificar que as coisas funcionavam devidamente”, sustentou.

Na sua opinião, o incêndio no autocarro “foi a primeira vez que os meios de intervenção, quer afetos ao túnel quer da proteção civil, foram testados”.

Luís Leite Ramos, que insistentemente tem pedido o acesso ao relatório, lamentou que o Parlamento ainda desconheça o documento que, entretanto, já chegou à comunicação social, e criticou o comportamento do ministro das Infraestruturas, Pedro Marques.

O que me revolta profundamente nesta história é a forma arrogante, prepotente e irresponsável com que este governo trata as questões de segurança no nosso país e todos aqueles que se atrevem a defender e a exigir a proteção das populações que os elegeram e representam”.

O deputado concluiu salientando que “o Parlamento e os utilizadores do Túnel do Marão merecem e exigem um pedido de desculpas do ministro Pedro Marques”.

Na quarta-feira, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas garantiu que o Túnel do Marão é uma “infraestrutura segura” e anunciou que até ao final de março serão implementadas as conclusões retiradas após os incidentes de junho e agosto de 2017.

Dois meses depois do incêndio no autocarro, ardeu também um carro ligeiro dentro do túnel. Nos dois casos não se registaram vítimas, contudo, a infraestrutura ficou fechada ao trânsito por diferentes períodos de tempo.