As altas temperaturas, o vento e a dispersão de meios, com algumas aldeias "na linha de fogo" de um incêndio com várias frentes, continuam esta terça-feira à tarde a gerar preocupações em Mação, nas freguesias de Mação, Carvoeiro, Cardigos e Envendos.

"A situação continua muito grave, com vento e temperaturas muito elevadas a dificultar a ação de combate dos bombeiros, sendo as mais complicadas na freguesia de Mação, em Mantela, e de Carvoeiro, onde a sede de freguesia esteve isolada e sem água, luz e telecomunicações, e em Envendos e Cardigos, com algumas aldeias ainda na linha do fogo", disse à agência Lusa, cerca das 16:00, o presidente daquela autarquia do distrito de Santarém.

De acordo com Vasco Estrela, as principais dificuldades no combate às chamas "são as altas temperaturas, o vento, as pequenas aldeias no meio da floresta, e as várias frentes do incêndio e a consequente dispersão de meios".

O incêndio que lavra em Mação chegou, cerca das 12:00, a atingir várias habitações na localidade de Carvoeiro, conforme testemunhou uma equipa de reportagem da TVI no local.

Com cerca de oito mil habitantes, o município de Mação ocupa um território de 400 quilómetros quadrados, 90% do qual com uma densa mancha florestal, e com mais de 120 pequenos lugares e aldeias dispersas por todo o concelho.

A ação no terreno, nesta terça-feira à tarde, divide-se entre o "combate ao fogo e à defesa e proteção de pessoas e habitações", disse ainda à Lusa o presidente da autarquia.

Aos bombeiros, que combatem as chamas e defendem ao mesmo tempo pessoas e bens, juntaram-se a trabalhar no terreno, desde domingo, profissionais do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Segurança Social, GNR, Misericórdia e outras instituições e muitos populares, num "constante vaivém, a transferir as pessoas mais idosas para diversos lares e para locais mais seguros", com o apoio de diversas ambulâncias,

As pessoas e as instituições têm sido incansáveis neste vaivém constante e já ajudaram a colocar em segurança, em diversos lares e outros espaços, cerca de 150 pessoas de mais de uma dezena de aldeias, ao longo destes dois dias", disse o presidente da Câmara de Mação, tendo feito notar que "a situação continua muito difícil, com várias aldeias em risco e muito, muito trabalho por fazer".

O incêndio da Sertã, que deflagrou no domingo à tarde e que se estendeu depois a Mação e Proença-a-Nova, estava a ser combatido às 16:00 por 1.090 operacionais, apoiados por 328 viaturas e 10 meios aéreos, segundo a página da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

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Duas novas ocorrência em Mação, em Mantela e Ortiga, mobilizavam às 12:30, 68 operacionais, 20 viaturas e um meio aéreo, segundo a ANPC. O incêndio de Ortiga foi dado como "em resolução" cerca de uma hora mais tarde, e o de Mantela, no território da União de Freguesias de Mação, Penhascoso e Aboboreira, continua ativo e mobilizava, às 16:00, 145 operacionais, apoiados por 43 viaturas e dois meios aéreos.

Na Sertã, à mesma hora, a situação operacional circunscrevia-se a "rescaldos e consolidação" do incêndio que deflagrou naquele município de Castelo Branco no domingo à tarde e que alastrou ao vizinho município de Proença-a-Nova, ainda em Castelo Branco, e a Mação, já no distrito de Santarém, disse à Lusa o responsável pela Proteção Civil Municipal da Sertã.

Está tudo tranquilo, em operações de rescaldo e consolidação em todo o perímetro do incêndio, havendo a registar apenas pequenos reacendimentos. Na Sertã estamos tranquilos, mas todos muito atentos", frisou Rogério Fernandes, que também é vice-presidente da autarquia.

Fogo com duas frentes preocupantes em Proença-a-Nova

O incêndio que lavra em Proença-a-Nova está esta terça-feira à tarde com duas frentes preocupantes, uma nas proximidades do parque empresarial e outra que se dirige para a zona da Moita, disse o presidente do município.

Temos aqui um problema junto ao PEPA [Parque Empresarial de Proença-a-Nova]. Há uma frente forte, mas estão meios no local para salvaguardar o perímetro do PEPA", explicou à agência Lusa João Lobo, cerca das 17:30.

O presidente deste município do distrito de Castelo Branco disse ainda que há uma segunda frente que merece preocupação e que vai da zona de Pergulho em direção à Moita.

Apesar da situação complexa que se vive no terreno, João Lobo adiantou que, "neste momento, ainda não há povoações em perigo".

O vento tem prejudicado os trabalhos: "Por vezes, sopram rajadas fortes e muda de direção várias vezes", acrescentou.

O autarca explicou que há ainda outra frente na zona de São Pedro do Esteval, mas que esta "está mais controlada", sendo que os meios "possíveis" vão sendo recolocados para "tentar contrariar aquilo que é possível".

O incêndio deflagrou na tarde de domingo no concelho da Sertã (distrito de Castelo Branco) e alastrou-se a Proença-a-Nova, bem como ao concelho de Mação (distrito de Santarém).

Segundo a página na internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), às 17:50, estavam no terreno a combater o fogo, 1086 operacionais, apoiados por 330 viaturas e 10 meios aéreos.

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