Actualizado às 14h34

O incêndio que deflagrou, esta sexta-feira num prédio em obras, na Rua da Boavista, no Porto, alastrou à cave do edifício onde está instalada a Associação do Hospital de Crianças Maria Pia, tendo já sido, entretanto, dominadas no prédio onde funciona uma secção do Tribunal do Trabalho, na Rua da Boavista, Porto.

De acordo com o comandante dos Sapadores Bombeiros, Alves Costa, citado pela Agência Lusa, ainda persistem focos de incêndio na cave do edifício onde as chamas tiveram origem, pouco depois das 05:00, e que ficou destruído.

Hotel de charme

Este edifício estava em obras para ser transformado em hotel de charme, cuja inauguração estava prevista para dentro de 20 dias, segundo o proprietário, que não se quis identificar.

Um morador da Rua da Boavista, centro do Porto, disse à Lusa ter ouvido uma «grande explosão», que poderá ter estado na origem do fogo. O homem contou que ouviu «uma grande explosão», tendo-se dirigido imediatamente para a janela, vendo o prédio «todo em chamas». O morador da Rua da Boavista adiantou ainda à Lusa que já estavam a ser instaladas as condutas de gás para o novo hotel de charme e que isso poderá ter estado na origem do incêndio.

Polícia ferido

No combate às chamas um polícia foi atingido por uma fagulha numa vista.

De acordo com informações recolhidas pela repórter da TVI no local, no combate às chamas estão 40 elementos dos Bombeiros Sapadores do Porto, apoiados por uma dezena de viaturas.

Tribunal de Trabalho muda-se

O primeiro juízo da segunda secção do Tribunal de Trabalho do Porto vai mudar provisoriamente de instalações. A segunda secção do tribunal de trabalho vai ser transferida para as instalações da quarta secção, situadas também na rua da Boavista, esperando-se que a mudança esteja concluída no início da próxima semana.

«Esta mudança provisória ocorrerá durante este fim-de-semana e deverá estar concluída no início da próxima, de modo a garantir uma rápida prestação de serviços aos cidadãos», explicou Ricardo Pires, assessor do MJ.

Apesar dos estragos nas instalações do tribunal, devido ao incêndio que deflagrou num edifício contíguo, os processos em suporte informático não sofreram danos.

«Está já garantido que todos os processos que se encontravam em suporte informático foram já recuperados», afirmou Ricardo Pires, explicando que a directora geral da Administração da Justiça «está no local para verificar a real situação da secção do tribunal que foi afectado pelo incêndio».

Verificar danos sofridos

Quanto aos processos em papel, terão ainda de ser verificados os danos sofridos na sequência do incêndio e apurada a melhor forma de os recuperar.

«Serão verificados e, se for necessário, a sua reforma ou recuperação será feita através das partes envolvidas, conforme a lei prevê», sublinha o assessor.

O MJ que recorda que tem a decorrer um concurso internacional para a construção do novo Campus de Justiça do Porto, «onde ficarão instaladas todas as áreas judiciais da primeira instância da cidade, incluindo os juízos de trabalho».

Bombeiros ainda no local

Entretanto, a EDP Gás assegura que «não ocorreu qualquer acidente ou incidente com gás Natural» na rua da Boavista.

«Só com uma avaliação técnica é que será possível descobrir as causas do incêndio», observou o chefe Manuel Monteiro, do Batalhão de Sapadores Bombeiros (BSB).

Os bombeiros continuam no local com três viaturas, «como precaução», referiu Manuel Monteiro, sublinhando que o facto de se tratarem de casas velhas aumenta a necessidade de uma actuação imediata no caso de se reacenderem alguns focos de incêndio.