O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, disse este domingo que os produtos que fazem mais falta para as vítimas do incêndio, que provocou 64 mortos e mais de 200 feridos, são alimentos não perecíveis, materiais de construção e sementes de hortícolas.

Neste momento, já temos roupas em excesso. Temos artigos de vestuário doados suficientes para vestir a população do concelho mais do que duas vezes", afirmou o responsável.

O autarca adiantou que, atualmente, os bens que mais falta fazem para ajuda às populações são géneros alimentícios não perecíveis e apelou também à doação de materiais de construção de sementes de hortícolas e árvores de fruto.

No futuro, as pessoas que queiram contribuir podiam trazer árvores de fruto, sementes de hortícolas e materiais de construção para as pessoas começarem a reconstruir galinheiros e outros abrigos para os animais", disse.

Valdemar Alves recorda que esses materiais devem ser entregues ao município, entidade que está a coordenar no terreno as operações de reconstrução.

Adiantou ainda que atualmente todas as pessoas no concelho estão sinalizadas ao nível de situações de carência, saúde e medicação e dos próprios médicos assistentes.

"As pessoas têm sido a grande preocupação da Câmara, bem como o seu estado de saúde", explicou.

Já em relação às ajudas financeiras, o autarca entende que o Governo se devia pronunciar, por uma questão de coordenação.

"Se o dinheiro é para as vítimas do incêndio tem que ser para as vítimas. Isto não tem nada a ver com desconfiança, mas sim com coordenação. O Governo devia pronunciar-se", sustentou.

Quanto ao apoio psicológico, sublinha que é o suficiente nesta altura e que existem equipas multidisciplinares no terreno a cargo da Administração regional de Saúde do Centro (ARSCentro) e também dos fuzileiros.

Valdemar Alves enalteceu a "onda de solidariedade nunca vista até hoje" que se gerou em torno da população de Pedrógão Grande.

O incêndio de Pedrógão Grande provocou 64 mortos e mais de 200 feridos.

Das vítimas do incêndio, pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236-1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.