O Presidente da República  vai receber hoje o líder o PSD, Pedro Passos Coelho, às 15:30, no Palácio de Belém.

A audiência ao presidente do PSD foi divulgada na página da Presidência da República, como acréscimo à agenda do chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa recebe Passos Coelho numa altura em que o PSD propôs a constituição de uma Comissão Técnica Independente sobre as causas e circunstâncias que estiveram na origem da tragédia em Pedrógão Grande. Morreram 64 pessoas no incêndio, a maioria na estrada nacional 236-1. 

Passos Coelho espera que a equipa comece a trabalhar "tão depressa quanto possível" para dar "todas as explicações" aos portugueses sobre o que aconteceu.

O primeiro-ministro mostrou apoio a esta comissão e pressionou ontem o Parlamento para aprovar a reforma da floresta.

Em entrevista à TVI, António Costa garantiu que não tem "nenhuma evidência de que em qualquer um dos Escalões de comando tenha havido qualquer falha" e mantém a confiança da ministra da Administração Interna.

O líder parlamentar do PSD escreveu aos presidentes de todas as bancadas desafiando-os para, em conferência de líderes, alcançarem um consenso urgente sobre o "modo de constituição e funcionamento" desta comissão.

PSD critica gestão "apressada" e "unilateral" do fundo de apoio

O PSD acusou, entretnato, o Governo de fazer uma gestão "apressada" e "unilateral" do fundo de apoio à revitalização das áreas afetadas pelos incêndios na região Centro. O fundo só abrange Pedrógão Grande, Góis e Pampilhosa da Serra e o maior partido da oposição defende que deve abranger mais concelhos.

As áreas afetadas não foram só no distrito de Leiria, houve outros distritos afetados, nomeadamente Coimbra e Castelo Branco"

O deputado do PSD e presidente da distrital de Coimbra, Maurício Marques, acusou, no Parlamento, o Governo de "ligeireza" e "falta de ponderação", considerando que o Conselho de Ministros não pode apenas referir-se aos concelhos "que foram mais mediatizados".

Maurício Marques reconheceu que, em relação a Góis e Pampilhosa da Serra, "o Governo já veio retificar", mas considerou que falta incluir outros municípios como Penela ou Arganil (no distrito de Coimbra) ou Sertã e Oleiros (em Castelo Branco), salientando que há vítimas e casas afetadas fora dos três concelhos abrangidos pelo fundo de revitalização.

Na quinta-feira, o Governo esclareceu que os municípios de Góis e de Pampilhosa da Serra estão "obviamente" abrangidos por apoios do Estado à reconstrução dos territórios atingidos pelos fogos e que o fundo aprovado em Conselho de Ministros é apenas um dos vários disponíveis.

Por outro lado, o deputado do PSD salientou que o fundo é composto não apenas por capitais públicos, mas também privados.

O Governo não pode unilateralmente dizer o que vai fazer com esses fundos, apropriar-se e distribuir como bem entende este fundo"