Pelo menos 174 pessoas tiveram de receber tratamento hospitalar por terem sido afetadas pelos incêndios que assolam a ilha da Madeira desde segunda-feira e 27 casas estão inabitáveis. Até às 16:30 desta terça-feira, era esse o balanço do Governo Regional, comunicado pelo próprio presidente, Miguel Albuquerque. Apesar de se manterem as condições meteorológicas propícias à propagação do fogo, por agora a situação está “perfeitamente controlada” e “relativamente consolidada”.

Dos feridos, 22 receberam tratamento por problemas respiratórios, havendo ainda uma pessoa com queimaduras "infelizmente com alguma gravidade", indicou.

Essa pessoa, um idoso que sofreu queimaduras depois de recusar abandonar a habitação, na freguesia do Monte, vai ser transferido para a unidade de queimados do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, num avião da Força Aérea.

Quanto à viatura dos bombeiros de Câmara de Lobos que teve um acidente testemunhado pela TVI, e que feriu os dois ocupantes, um tem uma fratura no membro superior e o outro escoriações.

A força das chamas consumiu várias casas. Nesta altura, há 27 moradias "sem condições de habitalidade": 11 em S. Roque, 13 no Monte e três em Santo António. Para além disso, duas unidades industriais de carpintaria ficaram "totalmente destruídas".
 
Miguel Albuquerque confirmou que, "por precaução", o Hospital dos Marmeleiros foi evacuado de madrugada, a partir das 05:30, num processo que demorou duas horas e "correu muito bem". Todos os doentes - 334 no total - foram transferidos para o Hospital Nélio Mendonça. Miguel Albuquerque destacou a resposta "eficiente" dos profissionais envolvidos da Proteção Civicl, com ajuda da PSP e da Polícia se Segurança Militar.
 
Também o Lar de Santa Isabel, com 60 idosos, foi alvo da mesma medida, igualmente por precaução. Foram reencaminhados para outros dois estabelecimentos.
 
 

Governo regional pede mão mais pesada para fogo posto

 
Serão mantidos "todos os procedimentos de intervenção" dadas as altas temperaturas - esta tarde os termómetros chegaram aos 38,1º, a temperatura mais elevada desde 1976 - que vão manter-se até, pelo menos, quarta-feira, dia em que deverão baixar cerca de 5º. No Funchal, o incêndio tem três frentes ativas (que vão desde Laginhas, Monte, Caminho do Tanque à Corujeira). Na Calheta, há duas (Arco da Calheta e Paúl da Serra) e outra nos Canhas, na Ponta do Sol.
 
"Tenho quase a certeza que o fogo começou com mão humana", afirmou, em conferência de imprensa, o presidente do Governo Regional.
 
Miguel Albuquerque pede "mão mais pesada" para o homem que já foi detido pela PJ, realçando que já é a terceira vez que é detido pelo mesmo. Até aqui, acabou sempre por sair em liberdade.  Seja como for, o presidente do Governo Regional defendeu que deveria existir "uma maior vigilância" no caso de pessoas com este tipo de "doença".
 

Linha de emergência

Miguel Albuquerque anunciou, ao mesmo tempo, que foi criada uma linha de emergência (926768743) que funcionará durante 24 horas para prestar todas as informações necessárias à população.

O governante agradeceu publicamente o telefonema que recebeu da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, ao início da tarde, “disponibilizando todos os meios caso a situação se agrave”, e o contacto do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Porém, assegurou que, “neste momento, a região tem os meios necessários”.
 
“Foi acionado o Fundo de Socorro Social no valor de 163 mil euros, numa deliberação do governo para apoio à construção de habitações destruídas ou danificadas e para reabilitação de realojamentos”

O programa comunitário Proderam (Programa de Desenvolvimento da Região Autónoma da Madeira) também contempla medidas para recuperação de terrenos agrícolas afetados pelos incêndios, explicou ainda.

Será feito um novo balanço pelas 20:30.

Açores dão ajuda

O presidente do Governo dos Açores disponibilizou meios da Proteção Civil ao executivo da Madeira. Numa mensagem enviada a Miguel Albuquerque, Vasco Cordeiro manifesta solidariedade e disponibilidade para prestar auxílio que o Governo regional da Madeira "entender necessário ou adequado", colocando também à disposição do executivo madeirense os “meios existentes no Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, no âmbito do dever de solidariedade e dando seguimento ao que ficou consagrado no protocolo de cooperação assinado entre os dois executivos a 1 de fevereiro".

 
No resto do país, há outros  sete grandes incêndios a causar preocupação aos bombeiros em quatro distritos. Em Viseu, o avançar das chamas obrigou ao  corte do IP5.