A aldeia de São José das Matas, em Mação, está cercada pelo incêndio que lavra no concelho do distrito de Santarém. De acordo com o repórter da TVI no local, todos os acessos à aldeia estão cortados devido a uma nova frente de fogo que ganhou nova força e dimensão.

As chamas, no concelho de Mação, já obrigaram a um novo corte da autoestrada 23 (A23), desta vez entre Gardete e Mouriscas e Mouriscas e Envendos. 

O presidente da Câmara de Mação disse esta quarta-feira que durante a tarde arderam duas casas em aldeias do concelho e que as chamas que lavram desde domingo estão longe de estar controladas.

Em informação prestada aos jornalistas cerca das 18:00, Vasco Estrela disse que ardeu uma casa de primeira habitação na aldeia de Casas da Ribeira, habitada por uma idosa, e que na povoação estão ambulâncias e outros veículos de transporte para retirar cerca de 30 idosos que ali residem.

De acordo com o autarca, outra habitação, esta devoluta, em São José das Matas, também foi consumida pelas chamas.

Vasco Estrela disse ainda que o número de frentes de fogo no concelho de Mação aumentou, durante a tarde, de três para "quatro ou cinco".

A situação não melhorou nada, pelo contrário, piorou. Neste momento, com alguma certeza, podemos estar a falar de quatro ou cinco frentes de fogo, perfeitamente autónomas, para além de tudo o que pode estar pelo meio de todo o fogo e que não conseguimos controlar e perceber bem o que está a acontecer", argumentou.

Questionado sobre quais as perspetivas de evolução do incêndio - que lavra desde domingo, começou no concelho da Sertã e estendeu-se a Proença-a-Nova e Mação - o autarca comentou que "neste momento, ninguém tem perspetivas de nada face à imprevisibilidade do que está a suceder, de hora a hora e minuto a minuto".

Já sobre se os meios no terreno são suficientes para debelar o incêndio, Vasco Estrela voltou a dizer que não sabe e remeteu a resposta para "pessoas mais habilitadas".

Aquilo que percebemos é que os bombeiros andam a correr de lado para lado a tentar chegar a todas as situações. Daí, provavelmente, pode-se inferir que os meios não são suficientes", declarou.

O incêndio deflagrou na tarde de domingo no concelho da Sertã (distrito de Castelo Branco) e alastrou-se a Proença-a-Nova, bem como ao concelho de Mação (distrito de Santarém).

Segundo a página na internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), às 13:00 estavam no terreno a combater o fogo, 1118 operacionais, apoiados por 351 meios terrestres e sete meios aéreos.

Duas aldeias evacuadas

O presidente da Câmara de Mação já tinha afirmado esta quarta-feira à tarde que a aldeia de Casas da Ribeira, com cerca de 30 pessoas, está a ser evacuada, sublinhando que o combate ao incêndio continua "complicado".

De acordo com Vasco Estrela, a aldeia de Casas da Ribeira foi evacuada "para evitar que existam maiores problemas naquela aldeia", num momento em que as chamas se dirigem para aquela localidade.

A agência Lusa constatou em Pereiro a passagem de cerca de 15 veículos de transporte de utentes e ambulâncias em direção a Casas da Ribeira para proceder à retirada da população.

Há outras aldeias que, a continuar o atual cenário, podem ser evacuadas, como é o caso da Aldeia de Eiras, acrescentou o autarca.

"Vamos ver como as coisas evoluem", referiu Vasco Estrela, considerando que a situação continua complicada.

À frente do centro de comando operacional, na vila de Mação, há duas ou três frentes de fogo que inspiram "alguns cuidados".

No entanto, "também já estiveram pior", notou o presidente da Câmara, sublinhando que os meios aéreos estão a ser utilizados para garantir que uma das frentes não progrida.

O incêndio que lavra em Mação passou para o concelho de Vila Velha de Ródão e obrigou também, esta quarta-feira à tarde, à evacuação da localidade de Gardete, disse à Lusa o vice-presidente da Câmara de Vila Velha de Ródão.

Duas dezenas de habitantes desta localidade estão a ser levados para Fratel.

"Temos uma situação muito grave. O incêndio de Mação chegou ao concelho de Vila Velha de Ródão, junto à aldeia de Gardete, quase na extremidade do concelho", explicou José Manuel Alves, cerca das 17:30.

"A situação é muito crítica, mas não há ainda casas ardidas", disse.

Quanto à situação do fogo no resto do concelho, José Manuel Alves sublinhou que está calma, sendo que o foco das atenções está agora centrado em Gardete.

Quase metade da área florestal já ardeu em Mação

O presidente da Câmara de Mação afirmou também esta quarta-feira que já arderam mais de 15 mil hectares, quase metade da área florestal do concelho, durante o incêndio que começou no domingo e se mantém ativo.

Temos 40 mil hectares, estamos a falar de quase metade do concelho. O fogo ainda não acabou, com total sinceridade não sabemos onde é que pode parar e quando pode parar", disse Vasco Estrela aos jornalistas.

Esta quarta-feira de manhã, o vice-presidente do município, António Louro, estimou que perto de 20 mil hectares tivessem ardido no concelho, referindo haver cinco a sete casas de primeira habitação destruídas.

Ao início da tarde, Vasco Estrela mantém a preocupação de que o incêndio - que mantém três focos ativos, dois deles perto da sede do município - possa atingir a vila de Mação.

O presidente disse à Lusa que uma das frentes de fogo "está a dois, três quilómetros, em linha reta" da sede do concelho e que as chamas, nessa frente, estão a tomar um percurso idêntico ao do incêndio de 2003, um dos mais gravosos desse ano.

Um outro foco que preocupa os bombeiros situa-se na zona do parque eólico de Brejo, onde, de acordo com o autarca, as chamas lavram "com grande intensidade" e as autoridades estão a preparar a eventualidade de evacuar a aldeia de Eiras.

No entanto, Vasco Estrela sublinhou que "está longe de haver risco iminente" para a população de Eiras e que uma eventual evacuação da povoação se justifica "para prevenir que alguma coisa de mal possa acontecer".

O outro foco de incêndio ainda ativo localiza-se do lado norte da vila de Mação, na zona de Pereiro, indicou o autarca.

Vasco Estrela voltou ainda a insistir na necessidade das autoridades, nomeadamente "as pessoas que têm responsabilidades no despacho de meios" para o incêndio de Mação, durante os últimos dias, venham dar "as devidas explicações".

Tenho o direito de saber os critérios que estão na base das decisões que foram tomadas ao longo das horas deste fogo. Tenho estado aqui [no posto de comando] em permanência praticamente todo o tempo, assisti a muitos procedimentos e muitas tomadas de decisão. Vou exigir em nome da população deste concelho de Mação que justifiquem decisões que foram tomadas", argumentou o autarca.

Vasco Estrela diz que quando o incêndio terminar, quer que seja feita uma avaliação dos danos causados em Mação, mas também nos concelhos da Sertã - onde o incêndio começou domingo - e Proença-a-Nova (ambos nos distritos de Castelo Branco), os meios que combateram as chamas nos três municípios, quantas localidades foram evacuadas e pessoas deslocalizadas, "para saber se há aqui consequências diretas ou indiretas sobre tudo o que aconteceu", frisou.