O Governo não autorizou a entrada no país de um contigente de operacionais espanhóis da região da Galiza que queria ajudar a combater o fogo de grandes dimensões em Pedrógão Grande. A notícia foi avançada pelo jornal El Correo Gallelo e entretanto confirmada pela ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, na tarde desta terça-feira. 

Questionada sobre esta notícia, a ministra explicou que o contigente espanhol foi travado porque "qualquer bombeiro que venha a operar aqui deve ser devidamente enquadrado". "Por vezes há pessoas com excesso de voluntarismo", vincou Constança Urbano de Sousa.

"O que acontece por vezes é que há pessoas com excesso de voluntarismo e podem querer empenhar-se sem ter qualquer tipo de enquadramento nos tetaros de operações. Ora isso não é aconselhável nem para a própria organização das equipas do terreno e sobretudo para os próprios que não conhecem o terreno em que vão operar. Qualquer bombeiro que venha a operar aqui deve ser devidamente enquadrado pelos nossos bombeiros. Temos de assegurar condições de segurança para os nossos combatentes."

De acordo com o El Correo Gallelo, mais de sessenta bombeiros e técnicos florestais da Galiza mobilizaram-se no domingo para ajudar os colegas portugueses que combatiam as chamas.

Prepararam dois camiões cisternas com capacidade para 30.000 litros de água cada um e todo o material necessário para as operações, que tinha sido disponibilizado pela base de Pontevedra, onde se estabeleceu o centro de comando deste contigente.

Eram cerca da 01:00 da manhã de segunda-feira, quando os operacionais, escoltados pela Guardia Civil espanhola, partiram para o país vizinho. Mas ao chegarem à fronteira de Valença do Minho, tiveram de parar por ordem das autoridades portuguesas.

Foi com surpresa que os espanhóis receberam a notícia de que o Governo português não autorizava a sua participação nas operações. O Executivo terá alegado que não tinha condições para receber tanta gente.

Não temos condições para tanta gente. Estamos sobrecarregados e não podemos permitir que passe mais ajuda", terá sido a resposta das autoridades.

Um vídeo que mostra o contigente parado na fronteira foi partilhado no Youtube.

Foi uma sensação agridoce. Estavamos conscientes do que se estava a passar em Portugal, estavamos preparados para intervir e ajudar e por uma questão burocratica nos impediram de lutar contra um problema grave que acabou com tantas vidas", desabafou um dos bombeiros espanhóis ao El Correo Gallelo.

O incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande tornou-se no mais mortífero da história do país. Até ao momento, já morreram 64 pessoas

A ministra da Administração Interna disse, entretanto, que oitenta bombeiros espanhóis chegam esta terça-feira a Portugal para ajudar no combate ao incêndio de Góis. A governante adiantou que 40 bombeiros vêm da Galiza, por via terrestre, e outros 40 operacionais de várias regiões espanholas por helicóptero.

"Neste momento estão a chegar 40 bombeiros de Espanha suplementares por via aérea e outros 40 por via terrestre para serem integrados nas nossas forças e nas equipas que estão no terreno."