O fogo que lavra em Vila Velha de Ródão está "controlado", ao início da tarde desta quarta-feira, apesar de existirem "muitos pontos quentes" que obrigam a uma atenção permanente, disse à agência Lusa o vice-presidente da Câmara local.

O fogo está controlado. Existem muitos pontos quentes que obrigam a uma atenção muito grande. Tínhamos uma zona mais complicada junto ao Perdigão, já praticamente controlada. A fase agora é mais de prevenção, mas o fogo está neste momento sob controlo em toda a sua área", explicou José Manuel Alves.

O autarca sublinhou que, durante a tarde e com o aumento da temperatura, o momento é de "grande vigilância" e "controle dos pontos quentes".

"Se não houver cuidado, sujeitamo-nos a que haja reacendimentos", disse.

José Manuel Alves explicou que durante toda a noite foi feito um trabalho "muito intenso e muito bom", cujos resultados são visíveis.

O incêndio não está extinto, mas conseguiu-se controlar aquilo que parecia incontrolável", sublinhou.

O autarca elogia ainda o trabalho feito pelos bombeiros no terreno, bem como a coordenação, com a colocação de meios no terreno.

"Várias máquinas de rasto trabalharam durante a noite e deram uma grande ajuda e algum conforto aos operacionais", frisou.

O incêndio deflagrou às 17:55 de segunda-feira, na freguesia de Santo André das Tojeiras, em Castelo Branco, tendo passado posteriormente para o concelho de Vila Velha de Ródão e também para o concelho de Nisa, no distrito de Portalegre.

Fogo em Nisa continua ativo com duas frentes

O incêndio no concelho de Nisa, distrito de Portalegre, continuava ativo esta quarta-feira à tarde e a lavrar em duas frentes, mobilizando mais de 100 operacionais e dois meios aéreos, disse à agência lusa uma fonte dos bombeiros.

O fogo em Nisa estava esta quarta-feira de manhã dominado em cerca de 90%, mas, durante a tarde, agravou-se, referiu a mesma fonte.

O combate às chamas mobilizava, cerca das 17:00, 108 bombeiros, com o apoio de 30 viaturas e de dois meios aéreos, não havendo registo de danos pessoais, nem em habitações.

Segundo a página na internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), o incêndio obrigou ao corte da Estrada Nacional (EN) 18, junto à ponte de Vila Velha de Ródão.

Incêndio destruiu flora que pode levar 200 anos a recuperar

A associação ambientalista Quercus disse esta quarta-feira que o incêndio que atingiu o monumento natural de Portas de Ródão, no concelho de Vila Velha de Ródão, destruiu flora única, como o zimbro, que pode levar 200 anos a recuperar.

As consequências do incêndio naquela zona são catastróficas, sobretudo para a flora, pois o zimbro não tem capacidade de regenerar e pode levar mais de 200 anos a recuperar. Ao nível da fauna, trata-se de uma zona que tinha a maior colónia de abutres do país, com 33 casais de grifos", afirmou à agência Lusa Samuel Infante, da Quercus.

O ambientalista, que classificou esta destruição pelo fogo como uma catástrofe, explicou que na zona estava um casal de abutre preto, outro de abutre do Egito, um casal de águias de Bonelli (espécie em perigo de extinção) e dois casais de cegonhas pretas, além de outras espécies.

Esta destruição, sublinhou, pode provocar uma diminuição da população animal, até porque nesta época do ano "as crias ainda não voam, pelo que ou está tudo morto ou saltaram para o chão antes do fogo”.

O mais provável é que esteja tudo morto", frisou.

Os ambientalistas já contactaram o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e ainda hoje vão para o terreno tentar perceber as consequências da destruição provocada pelo incêndio.

"A Quercus irá para o terreno, hoje, com equipas multidisciplinares para fazer o ponto da situação e recolher eventuais animais feridos", disse.

Samuel Infante espera que a situação ao nível da fauna se possa reverter, nem que se recorra à reintrodução, mas sublinhou que ao nível da vegetação vai levar muito mais tempo.

"Infelizmente continuamos com a política da monocultura e o resultado está à vista. O resultado é este, com a conjugação de uma seca extrema, ventos fortes e monocultura. Com estes cenários, vamos continuar a ter incêndios", sustentou.

O fogo florestal deflagrou no domingo no concelho de Castelo Branco, mas chegou ao município vizinho de Vila Velha de Ródão, mantendo-se ainda ativo.

As chamas passaram também para Nisa, no concelho de Portalegre, mas neste caso estavam hoje de manhã dominadas em cerca de 90%.