O incêndio florestal de Águeda, que voltou a estar ativo durante a madrugada devido ao vento forte que se faz sentir, está "descontrolado" desde a manhã desta quarta-feira e, ao final da tarde, avançava "perigosamente" em direção à cidade. A situação agravou-se de tal maneira durante o dia que foram pedidos meios aéreos com urgência, dados também os difíceis acessos para combater as chamas.

O fogo mantém quatro frentes ativas, "todas elas com combate difícil". Uma está a causa particular preocupação, já que avançar em direção a Águeda e pode mesmo vir a rodear a cidade, advertiu, citado pela Lusa, o comandante dos Bombeiros de Ílhavo, Carlos Mouro.

[O fogo] tem todas as condições para se propagar, as matas estão cada vez mais fechadas e cheias de matos e combustíveis finos. Os meios aéreos já ajudaram um bocado à tarde e continuamos a fazer a defesa do perímetro das povoações, mas o pessoal está cansado e estamos à espera de rendições".

Ainda assim, os bombeiros esperam controlar essa frente, "com o cair da noite". "O principal objetivo é esse", indicou.

Também o presidente da Câmara de Águeda, Gil Nadais, disse que o fogo "está às portas da cidade". Detalhou que as chamas já atingiram a zona do Casarão e da Catraia de Assequins, precisamente junto a Águeda.

Para já não serão tomadas nenhumas providências, com o autarca a adiantar que as recomendações são para as pessoas "fecharem bem as janelas das casas para evitar a entrada de fagulhas". Este incêndio envolve 304 operacionais e 90 meios terrestres.

Todo o país em alerta laranja até final da próxima semana

A meio da tarde, o autarca já falava numa "situação de catástrofe", afirmando que "há povoações cercadas pelas chamas e muitas estradas cortadas".

Apesar de ainda não ter uma estimativa da área ardida, Gil Nadais não tem dúvidas de que este será o maior incêndio de sempre em Águeda.

Albergaria-a-Velha: outro fogo descontrolado

No concelho de Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro, a situação também é complicada: um fogo está “descontrolado” e a colocar “casas em risco” em Soutelo, Sernada e Foz do Rio Mau, sendo necessário um reforço de meios, revelou o comandante dos bombeiros.

Está tudo muito descontrolado. Não há meios. Há casas em perigo”, adiantou à Lusa José Valente, comandante dos bombeiros de Albergaria-a-Velha, responsável pela coordenação dos trabalhos relacionados com a reativação de um fogo na localidade de Foz.

Em Janarde, concelho de Arouca, distrito de Aveiro, as chamas consumiram uma zona de mato. Também em Rossas, Arouca, houve uma reativação de um fogo que teve início no sábado, “num povoamento misto”. No concelho de Paiva, um fogo teve quatro frentes ativas. Em Anadia, outro fogo preocupou as autoridades, numa área florestal e teve de ser combatido por 60 elementos e 16 meios terrestres. Santa Maria da Feira, num povoamento florestal, cenário idêntico.

Plano de emergência ativado

A Comissão Distrital de Proteção Civil de Aveiro ativou durante a tarde o Plano de Emergência, face a este “elevado número” de incêndios que estão a lavrar no distrito.  

A justificação? “O elevado número de ocorrências e o total empenhamento do dispositivo operacional do distrito, estando praticamente esgotadas as suas capacidades de combate e rendição”, bem como a “previsível manutenção das condições meteorológicas adversas”.

Por seu lado, o município da Mealhada “acionou, na manhã de hoje, o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil dada a gravidade dos incêndios que assolaram o concelho, ameaçando, ainda ao final da tarde, habitações em diversos pontos, nomeadamente nas aldeias de Várzeas e Catraia”. “Ao final da tarde, viveu-se um cenário ‘dantesco’”, sublinha o presidente da Câmara da Mealhada, Rui Marqueiro, citado na nota.

Há cinco casas prontas para receber eventuais desalojados. “Também está em marcha um plano para dar apoio logístico aos bombeiros de fora do concelho que vêm reforçar o combate às chamas, sendo a base deste centro a Escola Profissional Vasconcellos Lebre”, na Mealhada, acrescenta a Câmara.

O Hospital da Misericórdia da Mealhada estará, entretanto, “aberto toda a noite” desta quarta-feira, “em função das diversas ocorrências de incêndios registados no concelho”, informa uma nota deste estabelecimento.

De acordo com a página da Proteção Civil, lavravam no distrito, pelas 19:30, 18 fogos, cinco dos quais classificados como “ocorrências importantes”, mobilizando um total de mais de 1.100 operacionais, apoiados por cerca de três centenas e meia de meios terrestres e oito meios aéreos.

Portugal está a arder. Os incêndios já fizeram quatro mortos e mais de mil deslocados, com a situação mais dramática a registar-se na Madeira.

Dada o cenário de emergência que se vive no país, os partidos com representação parlamentar e um representante do Governo vão reunir-se na quinta-feira, pelas 14:30, na Assembleia da República para debater o problema dos incêndios. Depois, vão visitar o comando operacional da Proteção Civil, em Carnaxide.