O fogo de Abrantes não deu descanso aos bombeiros durante a noite, mas a Proteção Civil indicou que está a dar "sinais de ceder" aos meios envolvidos no combate às chamas, esta sexta-feira. No terreno, pelas 12:20, estavam mais de 677 operacionais, apoiados por 214 viaturas e seis meios aéreos, a combater uma frente de fogo.

O incêndio teve pequenos reacendimentos durante a noite, sendo que hoje está completamente cercado pelos bombeiros, segundo constatou a repórter da TVI no local. 

Parece que tudo se encaminha para a resolução do incêndio durante o dia de hoje. Essa indicação foi dada pela adjunta da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, no balanço das 09:00 feito aos jornalistas. O briefing referiu-se também ao incêndio de Grândola, no distrito de Setúbal, que mobilizava, pelo meio-dia, mais de 213 operacionais, 67 veículos e dois meios aéreos, e que ontem obrigou a cortar a circulação ferroviária.

Os incêndios, quer em Grândola, quer em Abrantes, mostram já sinais de ceder aos meios. Todas as operações em curso, estão a dar algum resultado. Vamos tentar aproveitar ao máximo as operações da manhã, em que as temperaturas não são muito elevadas e o vento poderá não soprar tão forte, para tentar fechar estas ocorrências, mas tudo vai depender dos desenvolvimentos operacionais no terreno".

 

Casa ardeu

O incêndio que deflagrou na Aldeia do Mato, na quarta-feira, provocou o pânico ontem na cidade do distrito de Santarém, já que chegou a estar dentro da cidade. A circulação automóvel na A23 e IC1 esteve cortada.  

Ontem à noite, ardeu a casa de uma senhora idosa, com cerca de 80 anos. Várias pessoas tiveram de dormir fora das suas habitações. A família de cinco pessoas da habitação que ardeu totalmente foi realojada na casa paroquial, segundo a autarquia.

Seis aldeias foram evacuadas parcialmente e cerca de 50 pessoas foram transferidas para locais mais seguros, como o Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), no Quartel Militar de Abrantes.

Dez montes evacuados em Grândola

O incêndio de Grândola, que já queimou cerca de 3.000 hectares, já obrigou a evacuar cerca de 10 montes isolados, na zona do Viso, perto de Azinheira dos Barros, mas sem registo de casas ardidas, nem de danos pessoais.

Hoje de manhã, estamos a fazer a verificação ao nível das infraestruturas e se está toda a gente nas casas ou se há animais mortos”, mas, até cerca das 10:00, não havia registo casas ardidas, nem de feridos, disse à Lusa fonte da GNR.

Quanto à circulação rodoviária, não há qualquer estrada cortada no concelho alentejano esta manhã.

O presidente da Câmara de Grândola, António Figueira Mendes, estima em cerca de 3.000 hectares a área já ardida no incêndio.

O perímetro do que já ardeu ainda não está bem avaliado, mas terão sido cerca de três mil hectares”, muito eucaliptal e também área de montado. A maioria desta área ardeu no espaço de uma hora”, na quinta-feira.

A explicação está no “vento forte”, que chegou aos “40 quilómetros/hora em determinado momento”, cita a Lusa.

O vento mudava muito e tem sido o grande inimigo no combate a este incêndio. E esse é outro receio que temos nas próximas horas”.

Os 18  distritos do continente estão sob alerta laranja da Proteção Civil

Existiam, pelas 12:20, 142 incêndios ativos em Portugal continental, 10 em resolução e 50 em conclusão, segundo a informação disponibilizada no site da Proteção Civil. 

Risco máximo de incêndio em 50 concelhos

Cerca de 50 concelhos de 10 distritos de Portugal continental estão hoje com esse risco máximo. São concelhos dos distritos de Faro, Santarém, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Portalegre, Guarda, Bragança Porto e Viseu.

O IPMA colocou ainda vários concelhos dos 18 distritos de Portugal continental em risco elevado e muito elevado.

Na quinta-feira, a Proteção Civil registou 215 fogos. 10 de agosto acabou por ser, assim, e até agora, o dia em que se registou o maior número de fogos desde janeiro.

Das 215 ocorrências registadas ontem, 45 foram no distrito do Porto, 26 em Coimbra, 24 em Braga e 19 em Lisboa.