O incêndio que deflagrou na sexta-feira na Pampilhosa da Serra, distrito de Coimbra, tem quatro frentes ativas, depois de ter já registado seis. Mas a situação agravou-se ao longo da tarde de domingo.

O Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil teve mesmo de ser ativado, eram cerca das 17:00. O presidente da Câmara desta vila do interior do distrito de Coimbra, José Brito, explicou à TVI que esta medida foi adotada porque se “agravou a situação”.

Está tudo muito mais complicado. As previsões que tínhamos por volta do meio-dia alteraram-se completamente, com a mudança do vento. O incêndio está a progredir com grande intensidade, em direção a algumas povoações". 

Ainda não estão em risco, mas a câmara garante estar "a tomar as devidas precauções" e que as pessoas estão "devidamente protegidas". 

Deviam estar mais meios no terreno, no entender do autarca, porque "a área ardida é muito grande", mas os acessos são difíceis. 

Para além de os meios terrestres não conseguirem chegar, os meios aéreos não puderam atuar desde o meio da tarde por causa da nuvem de fumo"

 As chamas estão a progredir com “grande intensidade”, mas “neste momento não há povoações” ou habitações ameaçadas.

A aldeia de Boiças e do Ceiroquinho, com acessos bastante difíceis, estão na linha de fogo e preocupam os bombeiros neste momento. Esta zona não ardia desde 1985.

Pelas 22:30, as chamas estavam a ser combatidas por cerca de 670 de operacionais, apoiados por 200 viaturas, de acordo com a página da Proteção Civil na internet.

O presidente da Câmara de Pampilhosa da Serra considerou, durante o dia, que seriam necessários “mais meios”. "Os bombeiros estão exaustos” e são insuficientes para atacar as frentes ativas e, simultaneamente, fazerem os trabalhos de consolidação, rescaldo e vigilância, para “evitar reacendimentos”.

Pouco mudou em 48 horas em Arganil

O fogo teve início às 23:20 de sexta-feira, em povoamento florestal da zona de Castanheira, na freguesia de Fajão e Vidual, no município de Pampilhosa da Serra, alastrando, entretanto, ao vizinho município de Arganil, onde, no sábado, foram deslocadas cerca de 50 pessoas residentes em aldeias das quais o fogo se aproximou.

Essas pessoas já regressaram, entretanto, às suas casas. Porém, o fogo não dá tréguas, avançando para territórios referenciados pela Área Protegida da Serra do Açor, do vale do Ceira e povoações da rede de Aldeias do Xisto.

No sábado, o fogo chegou a propagar-se por seis frentes. A TVI testemunhou, no local, que pouco mudou em 48 horas. O "inferno" mantém-se, já que em toda a serra na zona de Arganil e nas quatro frentes ainda ativas ao final do dia de domingo, havia um mar de chamas incontroláveis e queixas de que os meios são insuficientes para a dimensão do inimigo. Veja o vídeo.

Outros incêndios

O incêndio que começou no sábado em Mortágua, distrito de Viseu, foi considerado hoje dominado antes das 16:00, de acordo com a página de internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil.

 Pombal e Ourém também viveram momentos preocupantes com incêndios, este domingo. Ao final da noite, foi a vez de um incêndio que começou de manhã, numa zona florestal da Trofa, ter alastrado a fábricas.

Entre janeiro e setembro deste ano, arderam 215.988 hectares de floresta em Portugal, mais 174 por cento do que a média dos últimos dez anos, segundo dados do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

“O ano de 2017 apresenta, até ao dia 30 de setembro, o 5.º valor mais baixo em número de ocorrências e o valor mais elevado de área ardida desde 2007”, refere o ICNF num relatório divulgado na sexta-feira.

Face às condições meteorológicas adversas, com pouca precipitação e a consequente situação de seca, o Governo prolongou ate 15 de outubro o período crítico dos incêndios florestais, que normalmente termina a 30 de setembro.