O município de Ansião, concelho vizinho de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, acolheu desde sábado “à volta de meia centena de pessoas” em fuga do incêndio e vai manter hoje a operação logística de apoio com alimentação e alojamento.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara de Ansião, Rui Rocha, assegurou que o município, sobretudo a freguesia de Avelar, vai “manter alerta toda a estrutura em termos de prevenção”, uma vez que o dia de hoje se apresenta como bastante crítico no que diz respeito às condições climatéricas, com o grau de risco a aumentar para o concelho de Ansião.

“Imediatamente, desde ontem [sábado], quando dezenas de pessoas, sobretudo dos nossos concelhos vizinhos, [estavam] em fuga da situação do incêndio, que criámos condições para poder acolher as pessoas, quer do ponto de vista de alojamento em alguns edifícios, sobretudo da freguesia mais próxima de Avelar, quer também do ponto de vista de alimentos”, declarou o autarca Rui Rocha.

Neste sentido, o município de Ansião criou condições para que as pessoas afetadas pelo incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande “pudessem descansar um pouco e, também, alimentar-se”, bem como ao nível de outras valências, designadamente com a utilização do hospital de Avelar, onde foi criado um posto do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para acolher feridos.

“Fomos criando aqui, ao longo da noite, estas condições para que estas pessoas, algumas delas apavoradas e ainda bastante consternadas, pudessem ter alguns momentos de descanso, sobretudo até que houvesse condições para poderem voltar para as suas localidades, porque o próprio acesso estava impedido”, adiantou o presidente da Câmara de Ansião, revelando que foram apoiadas “à volta de meia centena de pessoas”.

Os pontos de apoio criados pelo município de Ansião abrangem alguns edifícios municipais, o pavilhão de coletividades, o clube de futebol Atlético Clube Avelarense e a escola tecnológica do concelho.

O autarca de Ansião reforçou a “grande disponibilidade” da população na entrega de água e de alimentos para ajudar as pessoas afetadas pelo incêndio, referindo que a Cruz Vermelha Portuguesa também disponibilizou equipamentos, nomeadamente camas articuladas.

“Fomos encontrando soluções à medida que as pessoas vinham procurando algum conforto”, afirmou Rui Rocha.

Um novo balanço do incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, dá conta de 57 mortos, disse hoje o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes.