Duas habitações foram consumidas, nesta segunda-feira, pelo incêndio que deflagrou na freguesia de São Roque, nas zonas altas do Funchal, e que está “relativamente controlado”, informou o presidente da câmara municipal, perto das 21:30.

A secretária da Inclusão e Assuntos Sociais da Madeira afirmou que está a ser prestado apoio aos residentes da zona de São Roque, no Funchal, que tiveram de sair das suas casas devido a um incêndio.

Segundo Rubina Leal, que está a acompanhar as operações no local, está a ser dado apoio “sobretudo a idosos, que estão a ser alojados num espaço no Clube Desportivo do Galeão”, em São Roque. “Estamos a controlar a situação não só em termos dos fogos, mas também de apoio às populações que tiveram de sair das habitações”, resumiu.

A responsável, que tutela a área da Proteção Civil, adiantou que há elementos de sete corporações de bombeiros a combater o incêndio, que deflagrou pelas 15:30 numa área florestal na freguesia de São Roque, mas entretanto já se estendeu à freguesia vizinha de Santo António.

Várias pessoas foram já retiradas de casa devido ao fumo. “O vento não é nada favorável”, disse Rubina Leal. A responsável adiantou que no terreno está também a Cruz Vermelha, elementos do Exército e a PSP, que já fechou vários acessos por motivos de segurança.

Rubina Leal referiu não ter “conhecimento de que existam danos materiais, pelo menos avultados”, em habitações nas zonas afetadas pelo incêndio, atestando que todos os meios estão “operacionais” e que foi preparado o pavilhão de São Roque para a eventualidade de ser necessário acolher pessoas.

Das corporações de bombeiros da ilha não foram ativadas para o combate a este incêndio as de São Vicente, Calheta e Ribeira Brava, apontou a governante.

A responsável apelou às pessoas para que “não retornem às habitações” enquanto não for completamente seguro.

Fábrica de óleos usados consumida

O presidente da Câmara do Funchal, Paulo Cafôfo, adiantou ainda que um armazém de comércio de pneus foi atingido e que dois tanques de fuelóleo explodiram, mas “os bombeiros conseguiram controlar a situação”, o mesmo acontecendo com alguns pequenos focos que foram surgindo ao longo da tarde.

“Ardeu completamente uma fábrica de óleos usados, acima do campo do Andorinha, na freguesia de Santo António”, constatou um jornalista da Lusa no local.

Cerca das 19:15 “ouviam-se explosões e viam-se bolas de fogo”, assistiu a Lusa, aos mesmo tempo que funcionários de uma fábrica de pneus existente na zona retirou o material que lá tinha e que foi transportado em camiões para um espaço mais acima no terreno.

O responsável apelou  à “calma” das pessoas que estão agora a aperceber-se do fogo, algumas em gozo de férias, que estavam fora do Funchal, aconselhando a que não afluam para a zona “para não dificultar o trabalho dos bombeiros”.

No local estão também o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, a secretária da Inclusão e Assuntos Sociais, Rubina Leal, que tutela a área da Proteção Civil, e o presidente deste serviço, Luis Néri.

Presidente do Governo regional: indícios de fogo posto

Miguel Albuquerque afirmou hoje existirem indícios de que o incêndio que deflagrou na freguesia de São Roque, no Funchal, foi “fogo posto”, o que está a ser averiguado pela Polícia Judiciária (PJ).

Foi numa zona onde já aconteceu duas ou três vezes. Estou convencido de que foi fogo posto, porque é uma situação que já se repetiu”, disse aos jornalistas Miguel Albuquerque, depois de se deslocar ao local afetado pelo incêndio.

Segundo o chefe do executivo madeirense, esta situação é “uma questão judicial” e já está entregue à Polícia Judiciária.

A PJ já esteve a averiguar o que se passou”, vincou Miguel Albuquerque, sublinhando que o fogo “começa sempre naquele local e depois há fortes indícios, até por testemunhas, de fogo posto”.

Alerta de ventos fortes mantém embarcações nos portos de abrigo 

A capitania do Porto do Funchal emitiu hoje um aviso de mau tempo para os mares do arquipélago da Madeira, devido às previsões de vento forte, recomendando que as embarcações permaneçam nos portos de abrigo.

Segundo a informação da autoridade marítima regional, o aviso está em vigor até às 18:00 de terça-feira.

A situação tem por base as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), apontando a capitania que esta ocorrência de mau tempo será de força 7 na escala de Beaufort, que vai de 1 a 9, e está relacionada com o quadrante do vento, que sopra entre os 51 e 62 quilómetros/hora, de qualquer direção.

Recomenda-se que os proprietários ou armadores das embarcações tomem as devidas precauções por forma a que estas permaneçam nos portos de abrigo”, escreve a autoridade marítima insular.

De acordo com as previsões do IPMA, nos mares do arquipélago, o vento vai ser por vezes forte, a visibilidade estará “boa” e as ondas serão de 2,5 metros na costa norte e de dois metros de altura na parte sul da ilha.