As autoridades de Nisa ativaram na madrugada desta quinta-feira o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil para apoiar a população de “forma mais eficiente”, perante um incêndio que é “uma incógnita”, disse à Lusa a presidente da autarquia.

A Comissão Municipal de Proteção Civil acabou de se reunir e deliberou por unanimidade nesse sentido. Foi necessário pôr em marcha as diligências porque nós agora temos de cuidar das pessoas, temos aldeias evacuadas, temos pessoas concentradas no pavilhão municipal (…) Não sabemos se o cenário de fogo vai continuar com a gravidade que agora observo. Apesar de termos reforço de meios, não temos neste momento uma estabilização do cenário”, informou Idalina Trindade.

A presidente da Câmara de Nisa explicou a ativação do Plano Municipal de Emergência mobiliza “todas as áreas setoriais”, sendo constituída “uma equipa multidisciplinar para articular diretamente, no sentido de requisitar apoios necessários ao socorro da população”.

Este apoio, que não está diretamente relacionado com o combate aos fogos, envolve várias entidades, incluindo assistentes sociais, apoio psicológico, GNR e saúde.

O fogo em Nisa, no distrito de Portalegre, com origem no que lavra em Vila Velha de Ródão, distrito de Castelo Branco, chegou a estar dominado em cerca de 90%, mas agravou-se na quarta-feira.

Pelas 08:00 continuavam ativas duas frentes, com 144 operacionais no terreno e 42 veículos

Segunda a autarca, Idalina Trindade, existe a expectativa de um cenário mais controlado durante a madrugada e com o regresso dos meios aéreos pela manhã.

Estamos em crer que pela manhã, com o reforço dos meios aéreos pesados, a situação possa melhorar substancialmente. Mas é sempre uma incógnita”, disse.

“O problema são os reacendimentos. Enquanto a frente de fogo foi só uma – passou de Vila Velha para o nosso lado – estávamos mais ou menos tranquilos, mas entrou-nos novamente pelo rio, com projeções que estão a ter 650 metros de distância, entrou-nos pela segunda vez através do rio Tejo”, lamentou.

As chamas obrigaram à evacuação de várias localidades, afetando cerca de 100 pessoas. Amieira do Tejo foi uma das freguesias afetadas, mas nem toda a gente quis sair.

A população que não quis ser evacuada, da freguesia de Amieira, concentrou-se no castelo, dentro de muralhas, com os bombeiros em proteção no exterior, e não houve danos pessoais, não houve sequer a proximidade do incêndio das residências, o que é bom”, descreveu.

Idalina Trindade destacou ainda que foi possível defender uma estação de distribuição de energia da EDP, que esteve ameaçada.

Estamos em crer que isto irá amainar esta madrugada e será possível outro cenário. [Mas] a coisa não está fácil. Estamos a tentar a consolidação, mas estamos ainda longe desse cenário”, afirmou.

Este incêndio deflagrou às 17:55 de domingo, na freguesia de Santo André das Tojeiras, em Castelo Branco, tendo passado posteriormente para o concelho de Vila Velha de Ródão e depois também para o concelho de Nisa, no distrito de Portalegre, através do monumento natural das Portas de Ródão.