A proteção civil de Amarante receia que a área ardida este ano no concelho venha a ultrapassar os 2.600 hectares de 2005, um dos piores anos de sempre, admitiu à Lusa o vereador Hélder Ferreira.

«De certeza que se vai bater esse recorde», alertou o responsável pela proteção civil municipal.

Apesar da sucessão de incêndios que tem destruído, nas últimas semanas, muitas centenas de hectares de mata, em Amarante, o vereador, disse acreditar que «o pior esteja para vir».

Hélder Ferreira recordou que a maioria dos incêndios dos últimos dias tem ocorrido em zonas próximas das serras do Marão e da Meia Via, as mais sensíveis do concelho, fazendo temer que aquelas áreas possam ser «o próximo alvo».

A proteção civil de Amarante suspeita que a maioria dos fogos florestais tem origem criminosa, dando como exemplo o facto de, no sábado, ter deflagrado vários incêndios, praticamente em simultâneo, em vários pontos do concelho.

«É tudo muito estranho», acentuou o vereador, alertando para o cansaço que os efetivos vão evidenciando.

«Têm sido dias muito violentos, com uma sucessão de incêndios que não dão tempo para os efetivos recuperarem», explicou.

O responsável elogiou o «trabalho heroico» dos meios humanos no terreno, apesar da "frustração" que sentem quando percebem que ¿atrás de um incêndio surge logo outro¿.

No sábado e no domingo, o incêndio que queimou mato, giestal e floresta nas freguesias de Gondar e Carvalho de Rei deixou um rasto de cerca de 300 hectares.

«Tivemos várias casas em risco», disse o vereador.

No combate, estiveram dezenas de efetivos, auxiliados por um helicóptero bombardeiro.

O fogo foi dado como controlado às 15:00 de domingo, mas sucederam-se os reacendimentos.

Às 15:30 desta segunda-feira, as chamas lavravam ainda em Gondar e Salvador, consumindo mato, mas também zona de pinhal.

No terreno encontram-se 31 bombeiros.