O presidente da Câmara de Alijó, Carlos Magalhães, anunciou, esta segunda-feira à noite, que foi ativado o plano de emergência municipal no concelho, por causa do incêndio que lavra desde a madrugada de domingo. A decisão já foi comunicada à ministra da Administração Interna, disse o presidente da Câmara de Alijó, em direto na TVI24.

Esta segunda-feira à tarde, o autarca já tinha dito que a medida era "um pedido de socorro", perante o incêndio que lavra desde a madrugada de domingo e está incontrolado.

É um alerta, é um pedido de socorro para todo o país para ver se nos ajudam”, afirmou aos jornalistas na localidade de Vila Chã, onde as chamas se aproximaram das casas durante a tarde, assustando a população.

E acrescentou: “Está incontrolado o fogo, não sei o que a noite nos vai trazer porque não vamos ter os meios aéreos e o vento continua e as frentes ativas têm-se multiplicado”.

O autarca referiu que o Estado de Emergência significa um “pedido à tutela”.

É um pedido de socorro, é um pedido de ajuda porque nós já não somos capazes de dominar isto, os homens que já estão aqui já estão exaustos, precisávamos de mais alguma coisa”, sustentou.

O presidente disse que pediu mais meios para o combate a este fogo, referindo que só vê uma solução através dos “meios de combate aéreo”.

Não estou a ver, no terreno, que os homens consigam aceder a estas zonas tão declivosas e com orografia tão pedregosa. Seria um risco para estes homens”, salientou.

Homens que já “estão exaustos” depois de muitas horas de combate a um incêndio “que não dá tréguas”

E explicou que praticamente todo o concelho, “ a norte, a poente e a nascente está todo em chamas, salvaguardando apenas a zona sul que está ocupada por vinhas.

“Num teatro de operações como este há sempre pequenas falhas, mas eu não me quero referir a essas pequenas falhas, quero-me referir às grandes falhas de há muitos anos, como a falha de uma política que defina um planeamento florestal e que não existe”, sublinhou.

Reforços esta noite

Cerca de 120 bombeiros e 40 militares do Exército vão reforçar esta noite o combate ao incêndio de Alijó, distrito de Vila Real, que lavra há quase 48 horas, disse o comandante distrital de operações de socorro.

Álvaro Ribeiro fez um ponto da situação do fogo, que deflagrou na zona de Vila Chã, na madrugada de domingo, e referiu que o combate mobiliza 162 veículos e 562 operacionais, entre bombeiros, GNR, INEM, Exército e da Força Especial de Bombeiros.

Segundo o mesmo responsável, durante as próximas horas vão chegar ao terreno mais quatro grupos de reforço de bombeiros e mais dois pelotões do Exército com um total de 40 militares.

Estamos a fazer uma análise dos vários sectores e esperamos durante a noite, com este reforço de meios, ter todo o perímetro do incêndio com operacionais, de forma que possamos extinguir todo o perímetro”, salientou.

O objetivo é o de aproveitar o reforço de meios e o arrefecimento da noite, no entanto, Álvaro Ribeiro, ressalvou que o vento forte e a secura da vegetação tem sido um “fator desfavorável” no combate ao fogo.

As chamas progridem em duas frentes, sendo a da parte virada ao rio Tua, na zona do Franzilhal e de Carlão, a que inspira mais preocupações. Com “menor atividade” está a lavrar a frente que avança para a zona de Vilar de Maçada.

A maior preocupação é a parte virada ao rio Tua, que é onde estamos a aguardar oportunidade para aí fazer um ataque musculado”, salientou.

Durante a tarde verificaram-se várias reativações neste fogo, que afeta uma grande percentagem do concelho, aproximando-se de várias aldeias, de onde foi necessário retirar algumas pessoas, entre crianças, idosos e doentes, por precaução.

Fogo aproximou-se de povoações

O incêndio em Alijó aproximava-se, pelas 19:40, de mais uma aldeia, Franzilhal, de onde foram retiradas cinco pessoas de quatro habitações, incluindo dois acamados, para serem levadas para a Santa Casa da Misericórdia de Alijó..

Estas cinco juntam-se às 16 pessoas, entre crianças, idosos e acamados, das aldeias de Carlão, Vila Chã, Francelos e Santa Eugénia.

As chamas aproximaram-se e rodearam algumas aldeias durante a tarde, nomeadamente Vila Chã, Francelos, Pegarinhos e Porrais, já no concelho de Murça.

As estradas municipais entre Vila Chã e Francelos e entre Santa Eugénia e Carlão estiveram também cortadas.

O responsável explicou que as variáveis meteorológicas, como o aumento da intensidade do vento e a sua rotação contínua, alteraram a dinâmica do fogo e trouxeram inúmeras reativações a partir da hora do almoço, reativando praticamente todo o flanco direito.

Não é possível, nestes períodos em que o fogo desenvolve tal atividade e tal velocidade de propagação, colocar qualquer tipo de meio, seja humano seja técnico a trabalhar em cima do fogo, porque não é possível e arriscamos a vida das pessoas”, acrescentou.

Durante a noite, os operacionais vão atuar de forma direta, em cima do fogo, onde tal é possível, e também de forma indireta, recorrendo à técnica do contrafogo.

Vamos esperar que o incêndio quebre a sua intensidade para que seja possível trabalhar estas duas técnicas e que o fogo venha para um parâmetro que esteja dentro do domínio da capacidade de extinção dos meios”, salientou.

Fogo lavra também em Oleiros, em Mangualde e na Guarda

Um incêndio florestal que deflagrou esta segunda-feira em Oleiros, no distrito de Castelo Branco, chegou a mobilizar 200 homens, 65 viaturas e quatro meios aéreos, disse à Lusa uma fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS).

O fogo lavrava numa zona de mato e, de acordo com a fonte, que falava perto das 18:30, "neste momento não há habitações em risco".

No concelho de Mangualde, dois incêndios lavravam com intensidade, depois do fogo de Abrunhosa-a Velha ter reativado, disse à Lusa uma fonte da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

À noite, foi mesmo ativado o Plano de Emergência Municipal.

Em Mangualde, também o fogo em Póvoa de Cervães se manteve, chegando a estar no teatro de operações às 19:00 desta segunda-feira, 197 operacionais, apoiados por 59 meios terrestres e quatro meios aéreos.

No concelho da Guarda, o incêndio que lavra numa zona de mato e de pinhal na área da freguesia de Rochoso e de Monte Margarida, está com três frentes ativas, disse à agência Lusa o presidente da autarquia.

Álvaro Amaro está "muito" preocupado com o incêndio, nomeadamente por, com o cair da noite, os meios aéreos que têm estado a atuar terem de abandonar o local.

Creio que vamos passar um mau bocado”, vaticina o autarca sobre o incêndio que, pelas 19:45, estava a ser combatido por 229 operacionais, 76 viaturas e um meio aéreo.