De acordo com a última atualização da Proteção Civil, às 00:45, há 11 grandes incêndios a causar maior preocupação às autoridades nesta madrugada, sendo que só o fogo em Soure mobiliza 549 dos 1.598 operacionais envolvidos.

Além de Coimbra, os distritos mais afetados são Viseu (Castro Daire), Porto (Paredes e Gondomar), Viana do Castelo (Ponte de Lima e Arcos de Valdevez), Braga (Cabeceiras de Basto e Vieira do Minho), Aveiro (Vale de Cambra) e Vila Real (Boticas e Vila Pouca de Aguiar).

No total, cerca de 3.500 operacionais, assistidos por 1.083 meios terrestres, combatem 93 fogos em Portugal continental.

O incêndio de Soure continua a ser o que mobiliza mais meios, com 549 operacionais empenhados no combate ao fogo na localidade de Carpinteiros, que teve início na segunda-feira e permanece com duas frentes ativas. Estão também envolvidos 176 meios terrestres.

Depois de um dia complicado, devido às elevadas temperaturas, encontram-se em fase de resolução os incêndios no concelho de Vila Verde, no distrito de Braga, em Freixo de Espada à Cinta, Bragança, e em Paredes, na localidade de Rebordosa, no Porto.

Quanto aos restantes dez fogos que mais meios concentram, no distrito de Viseu, um incêndio em Castro de Aire, na localidade de Granja, mobiliza 187 operacionais, apoiados por 53 meios terrestres.

No distrito do Porto, continuam ativos dois incêndios nos concelhos de Paredes e de Gondomar. Em Paredes, 74 operacionais, apoiados por 21 meios terrestres, combatem um fogo com quatro frentes ativas na localidade de Baltar, já em Gondomar, na localidade de Lomba, 152 operacionais, apoiados por 42 meios terrestres, tentam apagar o incêndio que permanece com três frentes ativas.

No distrito de Viana do Castelo, a Proteção Civil também destaca dois incêndios, nomeadamente nos concelhos de Ponte de Lima e Arcos de Valdevez.

Em Ponte de Lima, em Boalhosa, 69 operacionais, apoiados por 23 meios terrestres combatem um fogo que permanece com duas frentes ativas, enquanto em Arcos de Valdevez, 66 operacionais, apoiados por 28 meios terrestres, estão envolvidos no combate a um incêndio com uma frente ativa no Soajo.

Dois incêndios em Cabeceiras de Basto e Vieira de Minho, distrito de Braga, estão ser combatidos por 185 operacionais. Em Cabeceiras de Basto, 115 operacionais, apoiados por 43 meios terrestres, tentam controlar o incêndio na localidade de Juguelhe, que permanece com duas frentes ativas. Em Vieira do Minho, o incêndio na localidade de Rossas está a ser combatido por 70 operacionais, apoiados por 25 meios terrestres. O fogo permanece com duas frentes ativas.

No distrito de Aveiro, no concelho de Vale de Cambra, 62 operacionais, apoiados por 18 meios terrestres, combatem um fogo com duas frentes ativas na Junqueira.

Os incêndios de Boticas e de Vila Pouca de Aguiar são os dois no distrito de Vila Real que merecem destaque na página da Proteção Civil e que permanecem ativos há várias horas.

No concelho de Boticas, na localidade de Codessoso, 163 bombeiros, apoiados por 52 meios terrestres, combatem o fogo, que teve início na segunda-feira, e que permanece com uma frente ativa.

Em Vila Pouca de Aguiar, o combate ao fogo na localidade de Soutelinho do Mezio, que também começou segunda-feira, participam 91 operacionais, apoiados por 27 meios terrestres. O incêndio permanece com duas frentes ativas.

Aldeia evacuada à força

A aldeia de Paradela, no Soajo, Arcos de Valdevez, situada na área do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG) foi evacuada, nesta terça-feira, por causa de um incêndio de "grandes dimensões", que levou à ativação do Plano Municipal de Emergência.

De acordo com o segundo comandante da Proteção Civil de Viana do Castelo, Robalo Simões, o "fogo arrancou com violência", obrigando à evacuação da aldeia, decisão que não foi acatada de boa vontade pelos populares.

"As pessoas tiveram de ser arrancadas pelos bombeiros e pela GNR", contou, referindo-se àqueles que queriam lutar contra o fogo para salvar os seus bens.

Esta aldeia, onde "morreram animais", esteve cercada pelas chamas.

Um casal de Paradela teve mesmo de ser transportado pelo INEM, para um hospital, com queimaduras no rosto. Uma outra senhora foi também assistida por inalação de fumo. 

Das 15 pessoas deslocadas para o centro social do Soajo, a maior parte já regressou às suas casas.

No lugar da Várzea, que não chegou a ser evacuado, a situação acabou por ficar mais calma depois de cerca de duas dezenas de habitantes e militares da GNR terem estado retidos naquele povoado devido ao incêndio florestal. 

O vereador da proteção civil municipal de Arcos de Valdevez disse ter "mandado evacuar" Várzea e Paradela por causa de um fogo de "grandes dimensões" que já atingiu território espanhol do parque.

Olegário Gonçalves disse ainda, relativamente à situação na Várzea, que “os habitantes e a GNR ficaram retidos porque o fogo tomou conta da estrada de acesso àquele lugar” e a retirada dos residentes no lugar da Várzea ficou, por isso, "em 'stand by'".

A mudança de direção do fogo acabou por anular a retirada dos moradores da Várzea, uma vez que já não havia perigo para a população, confirmou a TVI24 no local.

Aldeia de Boticas evacuada

Seis idosos e duas crianças foram retirados da aldeia de Torneiros e acolhidos na Misericórdia de Boticas devido a um fogo que queimou pelo menos “três armazéns” nesta localidade, segundo fontes da câmara e da Santa Casa.

A ordem foi para evacuar a aldeia de Torneiros devido à proximidade de um fogo, mas, segundo o presidente da autarquia, Fernando Queiroga, muitos preferiram ficar para proteger os seus bens conjuntamente com os bombeiros e restantes elementos da Proteção Civil.

Por isso mesmo, foram retiradas da aldeia as pessoas mais vulneráveis.

O presidente da Santa Casa da Misericórdia de Boticas, Fernando Campos, disse à Lusa que um ginásio da instituição foi transformado num centro de acolhimento onde chegaram seis idosos, praticamente todos com mais de 80 anos, e duas crianças, que aqui vão jantar e passar a noite.

O autarca de Boticas acrescentou que o incêndio no concelho continua a lavrar com “muita violência”, tendo sido mobilizados mais meios para o terreno, onde estão agora 244 operacionais e 72 viaturas.

Segundo Fernando Queiroga, o fogo está a avançar para os territórios das aldeias de Sodradelo, Valdegas e Pinho e poderá passar para o concelho de Chaves.

Fernando Queiroga disse que o combate às chamas foi reforçado esta noite com mais homens que estão a ser posicionados no terreno.

O presidente acrescentou que se prevê um novo reforço de meios por volta das 06:00.

Quatro bombeiros assistidos em Vila Viçosa

Quatro bombeiros tiveram de receber assistência hoje quando combatiam um incêndio florestal que ameaçou habitações junto a Vila Viçosa, no distrito de Évora, disse fonte da Proteção Civil.

Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Évora indicou que os bombeiros foram assistidos "devido a exaustão", um da corporação de Vila Viçosa e outro da corporação de Alandroal seguiram para o Serviço de Urgência Básica do Centro de Saúde de Estremoz, e os outros dois, das corporações de Vila Viçosa e de Redondo, foram assistidos no local.

Destruída pelo menos uma habitação em Montargil

O incêndio que deflagrou hoje em Montargil, no concelho de Ponte de Sor, Portalegre, destruiu, pelo menos, uma casa e obrigou à retirada de vários habitantes.

Fonte da GNR adiantou à agência Lusa que "várias pessoas" foram retiradas das suas casas, ameaçadas pelas chamas.

Pelo menos uma habitação acabou por ser consumida pelo fogo, indicou a fonte, referindo não haver danos pessoais a registar.

Casas em perigo em Cabeceiras de Basto

O incêndio que deflagrou pelas 06:09 em Rio Douro, Cabeceiras de Basto, pôs habitações em risco mas essa ameaça foi entretanto afastada, embora as chamas continuem a lavrar “com grande intensidade”.

O comandante dos Bombeiros de Cabeceiras de Basto, Duarte Ribeiro, disse à Lusa que o combate às chamas está a ser dificultado pela falta de acessos, pela existência de muito material combustível e pelo vento.

A situação está muito complicada, com frentes muito ativas e com muitas projecções”, referiu.

Disse ainda que o “muito fumo” também dificulta a ação dos bombeiros e dos meios aéreos mobilizados para o local.