O tempo melhorou durante a noite, mas o incêndio de Pedrógão Grande ainda não foi totalmente dominado. O comandante operacional da Proteção Civil avisou que ainda há situações de alto risco. Isto numa altura em que há um total de 214 feridos - 179 em Pedrógão e 25 em Góis, segundo o INEM.

5% do incêndio encontra-se ainda em combate, com grande potencial de risco. Arde com pouco intensidade, não há linha de fogo, mas vários pontos quentes".

Ou seja, apesar de 95% do perímetro do incêndio estar em vigilância e rescaldo, os 5% restantes desenvolvem-se em "zona de difícil acesso, entre Porto Espinho, Coentral e Camelo". "Estamos a concentrar todos os meios para a resolução do problema", indicou Vítor Vaz Pinto.

Espera-se que o trabalho ainda se prolongue "por algum tempo se as condições meteorológicas se mantiverem".

Não há nenhuma frente ativa. Só não dou o incêndio como dominado, e não dei ontem, dado ao perímetro e ao histórico que este incêndio tem e porque não há garantias mínimas de que o incêndio não vá ultrapassar essa barreira"

A Proteção Civil não tem conhecimento de pessoas que estejam por contactar ou ainda desaparecidas. Sempre que for necessário, serão evacuadas aldeias, mesmo que só por prevenção.

Do total de 204 feridos em Pedrógão e em Góis, mantêm-se sete feridos graves, entre os quais uma criança. Mantêm-se, igualmente, os 64 mortos neste balanço. Há a registar, ainda, 552 assistências feitas por psicólogos.

Ajuda espanhola

Estão no combate às chamas 2.300 operacionais com o apoio de 17 meios aéreos. Ainda assim, não é fácil operar no terreno. "Estamos limitados na utilização de meios aéreos neste teatro de operações", indicou também o comandante.

Os operacionais pertencem a 198 associações diferentes e vão entrar entretanto também na operação 40 profissionais espanhóis.

O comandante manifestou estar com o mesmo "otimismo" e que as pessoas estão motivadas no combate às chamas, mas também sabe que, por vezes, surgem "constrangimentos".

Já ontem havia a expectativa de que o incêndio ficasse dominado até ao final da manhã, mas o fogo acabou por não dar tréguas.

"Não houve falha nenhuma de comunicação"

Sobre a notícia da queda de uma aeronave, que acabou por não se verificar, Vítor Vaz Pinto rejeita que tenha havido falhas de comunicação.

"Houve um alerta de queda de aeronave e foi acionado o protocolo de meios de socorro e de buscas". O procedimento normal, segundo o comandante da Proteção Civil.

Vai ser apurado, vai tentar-se saber de onde veio a notícia e qual a origem, porque isto mobiliza meios. Estavam ao combate e tiveram de ser disponibilizados para socorrer essa situação".

Na situação de ontem, o comandante operacional diz ter sido "surpreendido" e continua a "não acreditar" que alguém do posto de comando tivesse dado essa notícia sem certezas.