A Câmara Municipal de Proença-a-Nova disse esta quinta-feira que o fogo que na quarta-feira deflagrou naquele concelho terá queimado cerca de 800 hectares de floresta, provocando inúmeros prejuízos ainda por calcular.

"Desde o início do mês de junho até precisamente ao dia 7 de setembro, tínhamos 1,87 hectares de área ardida em todo o concelho de Proença-a-Nova. Apenas no dia de ontem [quarta-feira] estimamos que tenham ardido 800 hectares e os prejuízos ainda estão a ser calculados", é referido no comunicado hoje divulgado na página oficial da autarquia na internet.

No documento, assinado pelo presidente da autarquia, João Lobo, lembra-se que "felizmente" não houve perdas de vidas humanas, mas também se ressalva que, ainda assim, há a lamentar a destruição de palheiros, arrecadações, máquinas agrícolas, oliveiras centenárias e de uma mancha verde de pinhal que demorará anos a ser reposta.

Prejuízos provocados por um incêndio que, segundo o autarca, "teve claramente origem criminosa".

Lembrando que "floresta é uma das principais fontes de rendimento" daquele território, João Lobo sublinha que, fruto de uma "discussão serena e com uma estratégia comum entre os vários atores, terá que existir vontade política para se tirar partido de um património que valorize e crie riqueza em detrimento de prejuízos para todos".

"Aliada à floresta e à riqueza natural, temos também o turismo de natureza que é um atrativo principal num espaço territorial que se quer ordenado. Estou certo, continuaremos a lutar em conjunto para manter a nossa floresta a salvo e construir novas oportunidades", refere.

Além da mensagem de esperança, o autarca fez ainda questão de deixar um agradecimento global a todos os que estiveram envolvidos no combate, nomeadamente aos mais de 300 operacionais que estiveram no terreno.

Destacou ainda as empresas privadas e os municípios vizinhos de Vila Velha de Ródão, Oleiros e Sertã, que prontamente disponibilizaram as suas máquinas de rastos, bem como a ação dos anónimos que doaram e encaminharam alimentos para os bombeiros voluntários, dos que estiveram lado a lado com os bombeiros na defesa das suas casas e das suas propriedades e dos que disponibilizaram a água das piscinas para encher os tanques dos bombeiros ou dos que carregaram baldes de água para ajudar um vizinho em aflição.

"Nestes momentos somos todos mais comunidade", refere, assumindo que é também nestes momentos que surgem questões com as quais a autarquia se preocupa o ano inteiro: "Como fazer a gestão do nosso ativo florestal quando ao lado de propriedades limpas temos manchas densas de mato e pinhal? Como fazer o cadastro florestal?", questiona.

Para João Lobo, as respostas a estas perguntas são também parte da solução para a defesa da floresta e contra os incêndios florestais.

Da parte da autarquia, garante, tudo continuará a ser feito para evitar situações semelhantes, nomeadamente em termos abertura de caminhos florestais e na manutenção dessa rede de caminhos que já está criada e que ultrapassa já os três mil quilómetros.

Um investimento que nas épocas mais críticas também inclui equipas de vigilância colocadas em pontos estratégicos do concelho, um sistema de videovigilância e o apoio direto à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários.

"Infelizmente, no dia de ontem o vento forte tornou indomável um incêndio que noutras circunstâncias, pelos meios envolvidos, não teria o mesmo impacto", refere.