O incêndio que deflagrou em Silves na noite de quinta-feira foi dado como dominado esta sexta-feira, estando pelas 07:15 dois fogos a lavrar com intensidade e a preocupar as autoridades, em Monchique e em Vila Pouca de Aguiar.

Fonte da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) adiantou à Lusa que o incêndio de Silves, que deflagrou às 21:20 de quinta-feira e obrigou ao desvio de alguns meios do de Monchique, foi dado como dominado pelas 06:30.

Quanto aos restantes incêndios que lavram no país e denominados como “ocorrências importantes” pela Proteção Civil tanto de Monchique, distrito de Faro, como o de Vila Pouca de Aguiar, distrito de Vila Real, possuem pelas 07:15 duas frentes ativas e são ambos “preocupantes” para as autoridades.

Esta madrugada uma das três frentes do incêndio que lavra em Monchique foi dominada e outra estava controlada em 60%, segundo o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro.

A terceira frente ativa na localidade de Fóia lavrava a oeste e “não tem acesso a veículos de combate”, indicou fonte do posto de comando de operações.

O incêndio vai contar a partir das 8:30 com meios aéreos, avançou à Lusa o presidente da autarquia, Rui André, garantindo que a salvaguarda de “bens e pessoas” é a prioridade das autoridades.

É a nossa prioridade em termos de defesa quando os meios não são suficientes e quando muitas vezes as condições no terreno não permitem o ataque à frente de fogo, que é o caso. A nossa prioridade é obviamente salvaguardar pessoas e bens. Haverá sempre [habitações e pessoas em perigo] mas estão sempre defendidas”, explicou à Lusa.

De acordo com o autarca que passou a noite junto do posto de comando instalado na Fóia, o cenário podia ser “muito mais complicado” uma vez que durante a noite teve início um incêndio em Silves “que chegou a ameaçar também a zona norte de Monchique”, mas que já está dominado.

Temos duas frentes ativas em Monchique. Vamos fazer agora um raide aéreo para ver como está a progredir o fogo para tentar, com a intervenção dos meios aéreos, consolidar no terreno com bombeiros e meios terrestres, nomeadamente, máquinas de arrasto, e criar condições para que o fogo seja dominado o mais depressa possível “, frisou.

Quanto ao incêndio que lavra no concelho vizinho, Rui André explicou que também existem “zonas preocupantes em Portimão, na zona do Resmalho e Casas Velhas”.

Pelas 08:30 e segundo os dados do ‘site’ da Autoridade Nacional de Proteção Civil estavam no local 603 operacionais, apoiados por 195 veículos.

Este incêndio, que deflagrou no sábado à tarde, tinha sido dado como extinto no domingo ao fim do dia, mas reacendeu-se na quarta-feira pelas 19:57, num cenário que o comandante distrital da Autoridade Nacional de Proteção Civil Vaz Pinto apelidou de “explosivo”.

á o incêndio de Vila Pouca de Aguiar, Vila Real, é também uma reativação do fogo que teve início pelas 10:48 de segunda-feira, foi dado como extinto uma primeira vez na tarde de terça-feira e dado como dominado na quinta-feira pelas 10:57.

O incêndio florestal, que começou em Soutelinho do Mezio, freguesia de Telões, na segunda-feira, reativou-se possuindo agora duas frentes ativas.

No local estão 197 operacionais, apoiados por 58 meios terrestres.

Às 07:15, a página da internet da ANPC contabilizava 30 incêndios rurais ativos em todo o país, que mobilizam 1.334 operacionais e 454 meios terreste, sendo o distrito de Faro aquele que mobiliza mais bombeiros, 529, nas três ocorrências em destaque na página da Autoridade Nacional de Proteção Civll.

No distrito de Vila Real, aquele em que mais fogos estão ativos, com cinco ocorrências, estão mobilizados 227 operacionais, apoiados por 84 meios terrestres.

Ardeu mais área em 24 horas que no fim de semana

Em Monchique, já ardeu mais nestes dois últimos dias que durante o fim de semana, quando o fogo começou a lavrar.

A área ardida nas últimas 24 horas é maior do que a que ardeu no fogo que decorreu durante o fim de semana”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Monchique, apesar de ainda não ter números concretos da área afetada.

Por precaução, foram deslocadas 16 pessoas - idosas e com mobilidade reduzida -, encaminhadas depois para casa de familiares, centros de dia e para um pavilhão desportivo de apoio à Proteção Civil.

Ao início da noite, as chamas progrediram para a freguesia de Marmelete e das Caldas de Monchique apesar do vento de noroeste.

Populares retirados

A presidente da Câmara de Portimão, Isilda Gomes, que está no teatro de operações, indicou que a maioria das pessoas que tiveram de abandonar as suas casas por prevenção está com familiares.

“Só temos quatro pessoas no posto de acolhimento, maioritariamente situações de mobilidade reduzida”, apontou, sublinhando que o município está preparado para acolher outros moradores que necessitem.

Três povoações do concelho de Portimão – Carriçal, Moinho da Rocha e Tabual – e o hotel Pestana junto ao Autódromo Internacional do Algarve tiveram de ser evacuados por precaução, face à intensidade do fumo.

De acordo com o CDOS, foram retiradas 28 pessoas das três localidades, mas não era conhecido o número de hóspedes e funcionários deslocados do hotel.

Isilda Gomes indicou que os hóspedes foram levados para outra unidade do grupo Pestana no concelho.

Voluntários distribuem refeições aos bombeiros

Dezenas de voluntários prestaram auxílio logístico aos bombeiros que combatem há mais de 24 horas as chamas nos concelhos de Monchique e Portimão, preparando refeições e distribuindo alimentos em vários pontos do dispositivo operacional.

No posto de comando da Autoridade Nacional de Proteção Civil, instalado no Autódromo Internacional do Algarve, voluntários da sociedade civil, dos escuteiros e da Cruz Vermelha recebem os alimentos doados pela população e organizam-nos para os operacionais no terreno conseguirem alimentar-se sem perder muito tempo.

Os produtos, que vão desde refeições quentes, a sandes, frutas, águas, leite ou barras de cereais, são acondicionados e distribuídos por vários grupos de voluntários às equipas espalhadas pelo “teatro das operações” de combate aos incêndios.

A28 reaberta em Esposende

A A28, autoestrada que liga Viana do Castelo ao Porto, foi reaberta ao trânsito nos dois sentidos, na zona de Esposende, por volta das 20:00, depois de ter estado cortada desde as 16 horas devido ao incêndio que está lavrou no monte de São Lourenço, na freguesia de Vila Chã.

De acordo com a Proteção Civil, este fogo em Esposende, foi dado como dominado esta madrugada.