A investigação aos incêndios está a criar tensão entre GNR e Polícia Judiciária.

A GNR proibiu a entrega de informação sobre incendiários. A Judiciária diz que está em causa a eficácia no combate à criminalidade.

A ordem interna do comandante geral da GNR é de 22 de agosto e foi enviada a todos os postos da guarda, nela diz-se claramente que todo o expediente incluindo detenções de suspeitos incendiários são comunicadas apenas e só ao ministério público.

Mais, pode ler-se ainda na instrução a que a TVI teve acesso que a GNR «abastem-se de enviar ou entregar cópia do expediente elaborado ou dos detidos e suspeitos a qualquer outra entidade».

A Associação Sindical da Polícia Judiciária diz que a ordem da GNR contraria a lei de investigação criminal que atribui à Judiciária o exclusivo para a investigação dos crimes de incêndio com dolo. Pior que o mal-estar entre as polícias, é os prejuízos para a investigação, diz a polícia.

«Se a PJ não se deslocar ao local, se não lhe for comunicado de forma mais célere para a PJ se deslocar poder efetuar a competente inspeção judiciária, há indícios e vestígios que se podem perder».

O caso do suspeito de Vila Real que na passada semana foi detido duas vezes - primeiro pela GNR e no dia seguinte pela PJ - será um efeito da polémica instrução interna na guarda. A GNR estará cansada de ver a Judiciária ficar com os louros do seu trabalho Talvez por isso, a ASFIC faz questão de elogiar o papel da GNR, a proximidade com as populações locais permite uma recolha de informação crucial para a investigação deste tipo de crimes.

«Gostaria de realçar publicamente o excelente papel que ela tem vindo a desempenhar e, por isso, também nós sentimos - e a própria PJ - mais chocados pelo facto de existirem estas instruções de serviço dentro da GNR»

As direções de GNR e PJ negam mal-estar entre as polícias. O comando da Guarda diz que a informação vai continuar a ser entregue ao Ministério Público, que depois decidirá quem deve investigar.