Em dia de visita da presidente da Assembleia da República à cadeia de Paços de Ferreira, alguns reclusos resolveram incendiar os colchões da cela, provocando dois feridos.

Dois guardas prisionais ficaram intoxicados esta quarta-feira quando tentavam retirar os presos da cela e foram assistidos no hospital de Penafiel, como noticia o «JN».

Os bombeiros de Paços de Ferreira apagaram o fogo.

O incidente ocorre com o diretor-geral dos Serviços Prisionais e Assunção Esteves no edifício.

Rui Sá Gomes aproveitou paraa dizer que faltam 700 guardas nas cadeias, mas que a situação só será resolvida quando o Ministério das Finanças autorizar a abertura de concursos para novas contratações.

«Já solicitei a abertura de concurso. As Finanças ainda não autorizaram a abertura concurso. Sem autorização eu nada posso fazer», afirmou Rui Sá Gomes, em declarações aos jornalistas.

O diretor-geral acompanhou hoje a visita que a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, e deputados da Comissão Parlamentar de Liberdade, Direitos e Garantias realizaram ao Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira.

Rui Sá Gomes admitiu que a insuficiência de guardas é uma «situação transversal ao país».

«Tem havido muitas situações de aposentação e isso tem, obviamente, sido dificultado muito pela saída de guardas que não foram substituídos o suficiente. Houve um concurso recente, mas não compensa aqueles [guardas] que saem», avançou.

Aos jornalistas, o responsável negou, contudo, haver uma situação de rutura nos serviços prisionais, apesar de reconhecer a «situação de sobrelotação», com uma população 12% superior à capacidade das cadeias.

«Estão a ser desenvolvidas várias obras de requalificação e de ampliação de vários estabelecimentos prisionais. Umas já estão concluídas, outras estão em curso, o que vai aumentar a capacidade de resposta do sistema e baixar a sobrelotação», cita a Lusa.

Sobre o aumento da população prisional, o diretor-geral explicou que decorre, na maioria dos casos, de situações de pequena e média criminalidade, com penas até seis anos.

Por seu turno, a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, defendeu que «o sentido de dignidade dos reclusos é essencial para a sua reinserção social».

«Esta [visita] é uma manifestação de afeto, uma função em que nós queremos concorrer, com a nossa presença, para um sentido de dignidade, que tem de ser comum a todos», afirmou aos jornalistas, acrescentando: «A nossa presença é um exercício de uma cada vez maior transparência dos lugares da democracia», que são também os espaços fechados onde a «cidadania tem de se reconstruir».

Acompanhada de deputados da Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias, Assunção Esteves contactou hoje com vários reclusos e formadores daquele estabelecimento.

A presidente do Parlamento visitou espaços de vários ofícios, ficou a saber que o estabelecimento tem 714 reclusos e que cerca de 200 frequentam ações de escolarização, do primeiro ciclo ao secundário.

Assunção Esteves sublinhou que o contacto com a realidade, como o que hoje ocorreu, «ajuda na perceção das coisas e na atenção sobre elas».

«Todos nós temos uma inquietação sobre as realidades mais duras e andamos com alguma angústia à procura de soluções», sublinhou, dizendo ter «uma noção clara das dificuldades».

Assunção Esteve recordou que a comissão que visitou o estabelecimento de Paços de Ferreira «tem uma dinâmica muito intensa de troca de impressões, sugestões e injunções com o Governo e com os espaços da sociedad, na procura das melhores soluções para os problemas.