O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) identificou até ao momento mais de 1.000 futebolistas estrangeiros em situação irregular em Portugal, tendo já sido abertos 17 processos-crime, revelou o secretário de Estado da Administração Interna.

"O SEF identificou 1.304 ocorrências de cidadãos estrangeiros em situação ilegal, não só menores, tendo, posteriormente, sido abertos 17 processos-crime", afirmou João Almeida durante uma audição na Comissão de Educação, Ciência e Cultura, na Assembleia da República, sem especificar o período de fiscalização.


Em análise esteve a fiscalização levada a cabo pelo SEF a clubes e associações desportivas, que permitiu identificar um número elevado de cidadãos estrangeiros que não possuem título de residência ou visto adequado à prática desportiva.

"O fenómeno desportivo é um chamariz para esse tipo de situações. Há muitos casos de cidadãos que nunca foram jogadores de futebol e que são trazidos por intermediários, que depois desaparecem", disse João Almeida, manifestando a intenção de assinar um protocolo com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que vise precaver situações idênticas.

No início do ano, a FPF anunciou que, até abril, iria introduzir no regulamento do estatuto da inscrição e transferência de jogadores a obrigatoriedade de apresentação de documentação que ateste a legalidade da permanência de estrangeiros em solo luso.

Há cerca de um mês, o próprio presidente da FPF, Fernando Gomes, foi ouvido na mesma comissão, tendo referido que vários jogadores são inscritos com vistos de turista, válidos por três meses, e que a FPF não tem forma de saber se foi renovado, ou não, considerando que a solução passa pela atribuição de vistos de residência válidos para o período em que o atleta está a ser inscrito, por exemplo, uma época inteira.

A 05 de fevereiro, o SEF tinha identificado 250 cidadãos estrangeiros, dos quais 157 estavam em situação irregular.


Das ações de fiscalização, maioritariamente a clubes de futebol dos distritos de Coimbra, Aveiro, Leiria, Viseu, Guarda e Castelo Branco - mas sem especificar o nome dos envolvidos - resultaram três detenções de cidadãos estrangeiros e a notificação de 105 para deixarem o país no prazo de 20 dias.