Por: Redacção / Simon Kamm, da Agência Lusa | 12- 10- 2008 20: 52
«Documentos para Todos», «Não à Europa Fortaleza», «Abaixo Sarkozy» e «Ninguém é Ilegal» foram algumas das palavras de
ordem que se ouviram este domingo na manifestação, que juntou mais de um milhar de pessoas, em Lisboa.
A legalização
«de todos os imigrantes que trabalham e descontam em Portugal», a denúncia da ofensiva de políticas «securitárias e racistas»
na Europa, na forma do Pacto Europeu sobre Imigração, e o aumento da perseguição e estigmatização dos imigrantes, foram as
principais razões que hoje juntaram mais de 1.000 pessoas nas ruas da Baixa lisboeta.
A concentração, convocada
por organizações de imigrantes, direitos humanos, anti-racistas, culturais, religiosas e sindicatos, começou no Martim Moniz,
num ambiente multicultural de festa e música, onde os manifestantes exibiram as suas reivindicações e denúncias: «Portugueses
Imigrantes a Mesma Luta», «Direitos Iguais», «A Europa Precisa de Nós», «Liberdade para Todos», «Residência Para Todos», foram
algumas das frases lidas em centenas de cartazes e panfletos, que encheram as ruas.
À medida que a manifestação
desfilava ao ritmo da música e das palavras de ordem até o Rossio, muitas pessoas, sobretudo jovens e cidadãos estrangeiros,
mas também idosos, famílias inteiras e inclusive turistas, juntaram-se à «jornada de acção».
«Basta desta Europa
Fortaleza»
Esta manifestação, «integrada numa acção de protestos a nível mundial», lembrou Juca Silva, um
dos dirigentes associativos responsáveis pela organização, decorre antes de o Conselho Europeu da próxima quarta e quinta-feira,
onde os líderes europeus dos 27 vão ratificar o «vergonhoso» Pacto Europeu sobre Imigração e Asilo impulsionado pelo Presidente
francês e da União Europeia (UE), Nicolas Sarkozy, e aprovado pelos ministros europeus em Setembro.
Os manifestantes
e a organização acusam o «Pacto Sarkozy» de «aumentar o tratamento securitário das migrações», a «perseguição, criminalização
e estigmatização dos imigrantes ilegais na UE», e «facilitar a expulsão de indocumentados», que se estima serem cerca de oito
milhões na Europa.
«Chegou a altura de dizer aos políticos da Europa, Sarkozy, Berlusconi e companhia, que basta
desta Europa Fortaleza, destas políticas que criminalizam a imigração. Basta de olhar para homens e mulheres como meras mercadorias,
com um olhar estigmatizante e de desprezo», frisou Timóteo Macedo, presidente da Associação Solidariedade Imigrante (SOLIM),
uma das entidades promotoras da acção.
O também membro do Conselho Consultivo para os Assuntos de Imigração explicou
à Agência Lusa que a grande revindicação desta manifestação, ao nível nacional, é a regularização «de todos os imigrantes»
que «trabalham, pagam impostos e contribuem para a Segurança Social».
«Não há seres humanos ilegais»
Esta posição também foi defendida pelo eurodeputado do BE, Miguel Portas, ao frisar que «não há seres humanos ilegais».
«Toda a gente deve ter o direito a direitos mínimos. E estas pessoas, que trabalham, descontam, tanto como os portugueses
o fizeram na Alemanha e França, exigem que lhes sejam garantidos esses direitos», afirmou à Lusa, classificando o «Pacto Sarkozy»
como uma «vergonha».
«É uma vergonha porque a Europa quer tratar do repatriamento dos imigrantes que não têm
papéis, quando a mesma não tem sequer uma política para a integração dos imigrantes», acusou Miguel Portas.
A
chuva torrencial que se fez sentir quando a multidão «ocupava» a Praça da Figueira não impediu que os manifestantes continuassem
a desfilar pela Rua de Ouro abaixo até a Praça de Comercio, destino final da manifestação.
O desfile terminou
com um minuto de silêncio em frente a um painel no chão da Praça, que mostrava cadáveres a «boiar» nas aguas do Mediterrâneo,
para lembrar os milhares de imigrantes clandestinos que anualmente arriscam as suas vidas na travessia marítima rumo à Europa,
em busca de um futuro melhor.
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