A Associação Portuguesa para a Igualdade Parental manifestou-se esta terça-feira contra a proposta do PS de afastar o agressor da casa da vítima de violência doméstica, considerando que esta medida «visa afastar as crianças de um dos progenitores».

O projeto de lei do PS, que vai ser debatido na quarta-feira na Assembleia da República, propõe uma alteração ao Código de Processo Penal para permitir o afastamento do agressor da casa da vítima, de forma a prevenir e combater os homicídios conjugais.

«Importa prevenir, na lei, que o tribunal possa determinar, logo no início de um processo, ainda na fase de inquérito, o afastamento do arguido da casa de morada comum, acautelando todas as consequências ao nível familiar», através da regulação provisória das responsabilidades parentais e da atribuição de pensão de alimentos, refere o diploma.

Para a Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos (APIPDF), se esta proposta for aprovada, «traduzir-se-á na institucionalização da alienação parental, pois irá dar aos progenitores alienadores um instrumento célere para efetivar a mesma, através das falsas acusações de violência doméstica».

Ressalvando que é «contra qualquer forma de violência e dirigida a quem quer que seja (homem ou mulher, criança, jovem, adulto ou idoso)», a associação refere, em comunicado, que «se preocupa em evitar potenciais vítimas de violência no futuro».

A associação explica que a sua posição se baseia nos princípios da coparentalidade e do direito das crianças de conviverem com ambos os pais e «no impacto que as leis e a prática desta área têm sobre os direitos das crianças».

«É neste equilíbrio entre responsabilidades dos progenitores e direitos das crianças que se insere a posição da APIPDF», sublinha no comunicado.

Para a associação, a proposta do PS «parte de um conhecimento limitado sobre a realidade ao ignorar parte da violência de doméstica, que afeta homens e mulheres, com caraterísticas diferentes (começando pela própria linguagem sexista da proposta que atribui papéis de vítimas à mulher e agressor ao homem)».

Entende ainda que «não é com a repressão» que se resolvem as problemáticas ligadas à violência doméstica e parentalidade, mas “agindo a montante, ajudando famílias” em casos de divórcio ou separação e pós-divórcio.

«A estratégia da repressão através da alteração de molduras penais ou penalizando as crianças com o afastamento de um dos progenitores, como esta proposta, apenas serve para remediar ou acentuar problemas», como o da alienação parental.

A associação sustentou ainda a sua posição com os dados do relatório anual das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo, segundo os quais foram sinalizadas, em 2013, 8.021 situações de exposição das crianças a comportamentos que podem comprometer o bem-estar e o desenvolvimento.

Após diagnóstico, apenas 2.275 situações foram confirmadas, ou seja, apenas 28,3%, refere a associação.

«Se fosse aplicado o mesmo principio que está por detrás» da proposta do PS, «teriam sido privadas ou condicionadas injustificadamente do convívio com um dos progenitores 5.746 crianças», cita a Lusa.