A Segurança Social propôs aos desalojados do bairro de Santa Filomena, que no sábado ocuparam a Igreja Matriz da Amadora, o acolhimento de emergência num albergue, disse, esta segunda-feira, o coletivo Habita.

«Isto é a prova de que a Câmara da Amadora produz sem-abrigo e a Segurança Social assina por baixo», acusou Rita Silva, do Habita - Coletivo pelo Direito à Habitação e à Cidade, após as pessoas que ficaram sem casa no bairro de Santa Filomena terem recebido como alternativa «um albergue noturno para sem-abrigo durante alguns dias».

Os cinco desalojados - de uma dezena que a 06 de maio viu serem demolidas pela câmara sete construções ilegais no bairro de Santa Filomena - pernoitam desde sábado num anexo da Igreja Matriz da Amadora.

Pelo menos sete pessoas ocuparam o templo, após a missa da manhã, exigindo ao Patriarcado de Lisboa para mediar uma solução com a câmara.

No final do encontro com um representante do Patriarcado, hoje de manhã, Rita Silva explicava que a Igreja e a Segurança Social iam «ver quais são as alternativas que podem existir».

Nas reuniões com técnicas da Segurança Social, a quatro dos desalojados foi proposto um local de acolhimento de emergência, ficando de fora uma moradora «por já receber o RSI [Rendimento Social de Inserção]», adiantou Rita Silva.

«Não há neste momento nenhum tipo de resposta social que seja adequada para o que está a acontecer na Amadora», considerou a ativista do Habita, criticando o acolhimento de «pessoas perfeitamente integradas, com a sua vida estruturada, em centros para receber pessoas com outro tipo de problemas».

Os cinco adultos e uma criança vão assim continuar provisoriamente num ATL desocupado junto à igreja.

Eurico Cangombi, um dos ocupantes da igreja, viu ser demolida na terça-feira a construção onde habitava desde 2006. «Só queremos ajuda para uma casa com uma mensalidade de acordo com o nosso rendimento», reiterou hoje o morador.

Sónia Oliveira, 33 anos, desempregada, lamentou a demolição da construção onde residia «há 15 anos» e pretende «ajuda e apoio» para encontrar uma alternativa a ficar na rua com os seus três filhos.

A Câmara da Amadora, em comunicado, informa que optou por erradicar o núcleo degradado de Santa Filomena «sem qualquer apoio da administração central», para realojar as famílias que desde 1993 aguardam «por um lar condigno».

O levantamento do Programa Especial de Realojamento (PER) contabilizou 573 famílias, num total de 1945 residentes.

A autarquia está consciente de que nesta e outras áreas do concelho «se fixaram agregados familiares, que não se encontram abrangidos pelo PER», permanecendo «na expectativa de conseguirem a atribuição de uma casa».

Até ao momento «já foram demolidas 309 construções, faltando 133 para finalizar a erradicação deste núcleo degradado», estima a câmara, argumentando que «até hoje nenhuma família ficou na rua, sem alternativa habitacional».

«A autarquia foi cruzando informações com outros organismos do Estado, acompanhando sempre o percurso destas famílias», como faz com todas, acrescenta o comunicado, frisando que, desde terça-feira, «nenhuma destas famílias contactou a Segurança Social ou os Serviços Sociais da câmara» a pedir apoio.

A Câmara da Amadora prevê concluir este ano o PER no bairro de Santa Filomena.