O sociólogo Moisés Espírito Santo defendeu esta sexta-feira que a ordenação de duas mulheres da Igreja Evangélica Presbiteriana, anunciada para o próximo fim-de-semana, «pode trazer problemas à Igreja Católica Portuguesa», refere a Lusa.

«A ordenação de mulheres é uma ideia muito boa, que parte de uma igreja liberal bastante aberta, uma igreja protestante. E os protestantes há muito tempo que dão igualdade de oportunidades aos homens e às mulheres», disse Moisés Espírito Santo.

O sociólogo, que falava em Sesimbra, sublinhou que, ao contrário dos protestantes, a Igreja Católica se «recusa terminantemente» a aceitar a ordenação de mulheres.

«Segundo parece, até vai pôr isso como um dogma», frisou, lembrando que, «enquanto doutrina, a Igreja Católica tem cada vez menos adesão, embora continue a ter muito poder do ponto de vista social».

«E enquanto instituição de poder social não pode mudar muito relativamente às suas tradições. Tem de se estabelecer como é desde o Império Romano. É daí que vem a sua força, como factor de coesão do ocidente», justificou.

Moisés Espírito Santo lembrou ainda que a Igreja Católica Portuguesa tem vindo a perder fiéis nas últimas décadas.

«Há 30 anos, 60 a 80 por cento dos portugueses eram praticantes do catolicismo; hoje são apenas 20 por cento. A Igreja está a perder vertiginosamente o seu público», concluiu Moisés Espírito Santo.

Estas duas novas pastoras são as primeiras da Igreja Evangélica Presbiteriana em Portugal mas esta função sacerdotal já é desempenhada no nosso país por mulheres noutros cultos como os metodistas.

Os protestantes, um dos ramos principais do cristianismo, têm sido dos cultos mais abertos à participação das mulheres nas cerimónias religiosas, uma decisão que tem causado polémica junto de outras igrejas.

A igreja Católica tem recusado terminantemente às mulheres o papel de sacerdotes embora possam assumir, como qualquer outro leigo, a distribuição da Comunhão ou presidir a cerimónias de Liturgia da Palavra.